Aumento do etanol na gasolina pode afetar carros antigos e importados, apontam especialistas
há 2 dias
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O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, pode trazer impactos para parte da frota de veículos em circulação no Brasil, especialmente modelos mais antigos e alguns importados. A medida, que deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tem como objetivo reduzir os efeitos da variação dos preços internacionais do petróleo.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, os veículos mais suscetíveis são aqueles fabricados há cerca de 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples. Como esses modelos não foram projetados para trabalhar com uma concentração maior de etanol, eles podem apresentar maior desgaste e dificuldades para compensar a nova mistura de combustível.
Os engenheiros também alertam que alguns veículos importados movidos apenas a gasolina podem ser afetados, principalmente se tiverem sido desenvolvidos para operar com percentuais menores de etanol. Entre os componentes que podem sofrer desgaste estão tanque, bomba de combustível, linhas de combustível, bicos injetores, pistões e sistemas de vedação. A presença de mais etanol também pode favorecer processos de corrosão e acelerar o desgaste de peças que não foram projetadas para essa composição.
De acordo com Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), os principais problemas podem envolver corrosão e desgaste no sistema de injeção, provocando falhas de funcionamento, aumento das emissões de poluentes, maior consumo de combustível e, em casos mais graves, danos à bomba de combustível e aos injetores.
Profissionais do setor de manutenção afirmam que mangueiras e componentes de borracha também podem ressecar com maior rapidez. Além disso, alguns veículos poderão apresentar dificuldade na partida a frio, marcha lenta irregular, perda de potência, pequenos engasgos durante acelerações e aumento no consumo de combustível, já que o etanol possui menor poder calorífico do que a gasolina.
Já os veículos flex mais modernos tendem a se adaptar melhor à nova composição, graças aos sistemas eletrônicos que ajustam automaticamente a mistura de combustível. Ainda assim, especialistas afirmam que pode haver um pequeno aumento no consumo devido às características energéticas do etanol.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que apoia o uso de biocombustíveis, mas defende que qualquer aumento na proporção de etanol seja precedido por testes técnicos para garantir a compatibilidade dos motores e a durabilidade dos componentes dos veículos.
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