Açúcar do futuro pode ser produzido no Brasil e promete revolucionar a alimentação
gazetadevarginhasi
há 3 minutos
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Um açúcar funcional já conhecido pela ciência poderá, no futuro, ser produzido no Brasil com tecnologia desenvolvida no próprio país. A proposta é resultado de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), em parceria com outras instituições nacionais e internacionais.
O composto, chamado frutooligossacarídeo (FOS), é obtido a partir da sacarose da cana-de-açúcar por meio da ação de uma enzima específica. Embora já seja utilizado como ingrediente prebiótico em diversos países e tenha uso aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil ainda depende integralmente da importação desse produto para atender ao mercado interno. O diferencial da pesquisa está no desenvolvimento de uma rota enzimática nacional capaz de converter a sacarose em FOS de forma mais eficiente, com potencial para reduzir custos de produção e ampliar a autonomia tecnológica e produtiva do país nesse segmento. Segundo o professor Rafael Firmani Perna, da UNIFAL-MG, o FOS se diferencia do açúcar tradicional porque não é totalmente digerido pelo organismo humano. Ele chega praticamente intacto ao intestino grosso, onde serve de alimento para bactérias benéficas da microbiota intestinal. Já o açúcar comum é rapidamente absorvido pelo corpo e está associado ao aumento da glicemia. Estudos científicos apontam que os FOS têm baixa caloria, auxiliam na absorção de minerais como cálcio, magnésio e fósforo e podem contribuir no manejo de condições como anemia, osteoporose, hipertensão e intolerância à lactose. Também apresentam ação anticariogênica e podem ser uma alternativa para pessoas com diabete, desde que consumidos com orientação profissional adequada.
Na prática, o ingrediente pode substituir parcialmente o açúcar refinado em receitas como bolos, pães, bebidas e molhos. No entanto, possui entre 30% e 60% da doçura da sacarose, o que pode exigir ajustes nas formulações. Além disso, quando consumido em excesso, pode causar desconforto gastrointestinal, como gases ou leve diarreia. A tecnologia começou a ser desenvolvida em 2004 e atualmente está em fase avançada de aprimoramento, com foco na purificação do produto e na viabilidade econômica do processo. Em 2024, os pesquisadores iniciaram uma etapa considerada crucial, relacionada à recuperação e purificação do bioproduto, responsável por até 80% dos custos operacionais. O projeto envolve a UNIFAL-MG, o IPT-SP, a UFTTO, a UNESP (Campus São Vicente) e a Universidade do Minho, em Portugal. Apesar dos avanços já alcançados, o Brasil ainda não produz FOS em escala industrial.
A expectativa é que o açúcar funcional à base de sacarose da cana-de-açúcar possa chegar ao mercado em um prazo estimado de oito a dez anos, caso o projeto receba apoio de agências de fomento e estabeleça parcerias com a indústria alimentícia.