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Brasil apreende 76 mil canetas e ampolas emagrecedoras na fronteira com o Paraguai em 2026

  • há 38 minutos
  • 3 min de leitura
Reprodução: Receita Federal
Reprodução: Receita Federal

A Receita Federal apreendeu 76.112 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento na fronteira entre Brasil e Paraguai durante o primeiro semestre de 2026. O número representa quase o triplo das 24.994 unidades apreendidas ao longo de todo o ano passado e evidencia o crescimento do contrabando de produtos com semaglutida e tirzepatida na região de Foz do Iguaçu, no Paraná.

As apreensões realizadas entre janeiro e junho deste ano foram avaliadas em R$ 19,5 milhões. O maior volume ocorreu em junho, quando 25.828 canetas e ampolas foram apreendidas, com valor estimado de R$ 4,29 milhões. O avanço ocorre depois de um crescimento expressivo registrado ao longo de 2025.

A Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, a Cidade do Leste, no Paraguai, tornou-se um dos principais pontos de fiscalização desses medicamentos. A região já é conhecida pelas operações contra o contrabando de cigarros, eletrônicos e outros produtos, e passou a concentrar também apreensões de medicamentos destinados ao emagrecimento.

Um dos fatores que ajudam a explicar a procura é a diferença de preços. Segundo a Receita Federal, uma ampola de tirzepatida custa, em média, R$ 340 no Paraguai. No Brasil, o Mounjaro, medicamento à base da mesma substância, é encontrado a partir de R$ 1.400. As marcas paraguaias, porém, não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem comercializadas no Brasil.

O crescimento das apreensões começou a ser percebido em 2025. Em janeiro e fevereiro daquele ano, os produtos ainda não tinham sequer um registro individual de captura pelas autoridades brasileiras. O primeiro grande confisco ocorreu em março, com valor de R$ 2.262,45. Em dezembro, as apreensões haviam aumentado 1.136% em comparação com março, e a maior ocorrência daquele ano alcançou R$ 2,79 milhões.

O auditor fiscal da Receita Federal Flávio Bernardino de Carvalho defende o aumento das prisões e condenações relacionadas ao contrabando e afirma que a fiscalização também precisa alcançar as redes sociais. Segundo ele, os medicamentos entram no país de diferentes formas, transportados por ônibus, carros, caminhões e turistas, além da atuação de organizações criminosas e de pessoas que agem individualmente.

A Receita Federal afirma que os contrabandistas utilizam diferentes estratégias para esconder os medicamentos. Além das rotas com barcos pelo Rio Paraná, a Ponte da Amizade é um dos principais pontos de apreensão. Em momentos de maior movimento, mais de 100 mil pessoas e 45 mil veículos podem atravessar diariamente a ligação entre os dois países.

Entre os esconderijos encontrados pelos agentes estão frascos de shampoo, embalagens de gel de massagem, solados de tênis e espaços vazios na carroceria de veículos. A fiscalização também identificou casos em que não foi respeitada a necessidade de refrigeração para conservação das canetas.

O aumento do interesse pelos medicamentos acompanha a expansão do mercado de produtos associados ao GLP-1. Dados da Serasa Experian indicam que os pedidos online desses medicamentos cresceram 149,3% no primeiro semestre de 2026. As solicitações passaram de 547.249 no semestre anterior para 1.364.354 entre janeiro e junho, movimentando mais de R$ 2,3 bilhões.

Um estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, produzido pelo Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, também identificou aumento nas buscas por produtos sem registro sanitário no Brasil. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o interesse por esses medicamentos no Google cresceu 6,29%.

Os medicamentos produzidos no Paraguai e sem autorização para venda no Brasil estão relacionados ao crime de contrabando de produtos não autorizados. Segundo a reportagem, a prática é enquadrada como crime contra a saúde pública pelo artigo 273 do Código Penal, com previsão de reclusão de 10 a 15 anos e multa.

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Gazeta de Varginha

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