Brasil deve exportar entre 80 mil e 96 mil toneladas de carne bovina às Filipinas em 2026
13 de ago.
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O Brasil deve manter em 2026 o ritmo de crescimento das exportações de carne bovina para as Filipinas, com previsão de embarques entre 80 mil e 96 mil toneladas ao longo do ano. A estimativa é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e foi apresentada durante a Wofex Manila, uma das principais feiras de alimentos e bebidas realizadas no país asiático. Segundo a entidade, o avanço da economia filipina, o aumento do poder de compra e a maior demanda entre consumidores mais jovens estão entre os fatores que sustentam a expectativa de crescimento da carne brasileira no mercado local.
De acordo com informações citadas pelo jornal filipino Philippine Daily Inquirer, o diretor de Assuntos Estratégicos da Abiec, Julio Ramos, afirmou que o consumo de carne bovina vem avançando entre os jovens das Filipinas. A avaliação também considera que o crescimento da renda da população amplia a capacidade de compra dos consumidores. Os dados da associação mostram a dimensão do avanço registrado no mercado: as exportações brasileiras de carne bovina para as Filipinas passaram de 1,4 mil toneladas em 1997 para 96,2 mil toneladas em 2025.
O desempenho mais recente também indica expansão. No primeiro semestre de 2026, o Brasil embarcou 35,9 mil toneladas de carne bovina para as Filipinas, volume 34,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita obtida com essas vendas chegou a US$ 162,4 milhões, crescimento de 38,9% na comparação com os primeiros seis meses do ano anterior. Com esse resultado, as Filipinas continuam entre os dez principais destinos da carne bovina brasileira.
Além da carne bovina, entidades do setor de proteína animal avaliam que ainda existe espaço para ampliar a presença brasileira nas Filipinas. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou a possibilidade de expansão das vendas para além da região metropolitana de Manila. Segundo o gerente de Mercados da entidade, Gabriel Morelli Ribeiro, as empresas brasileiras podem se aproximar de importadores e ampliar a distribuição de produtos para outras cidades do país.
O cenário dos embarques também não teria sido afetado de maneira significativa pelo conflito no Oriente Médio. Conforme avaliação apresentada pela ABPA, a elevação do preço do petróleo e dos custos de transporte não atingiu um nível considerado suficiente para inviabilizar as operações brasileiras destinadas às Filipinas. Ainda segundo a associação, as exportações brasileiras de carne suína e de frango para o mercado filipino cresceram aproximadamente 30% e 15%, respectivamente, em 2026.
Dados do Bureau of Animal Industry, órgão do governo filipino, também apontam para o crescimento das compras externas de carne. Segundo números citados pelo Philippine Daily Inquirer, as importações filipinas do produto aumentaram 12,1% no primeiro semestre de 2026 e chegaram a 872,27 milhões de quilos. O Brasil respondeu por 52,2% desse volume. Em abril deste ano, o país também concluiu as negociações para abrir o mercado filipino à carne bovina brasileira resfriada, com e sem osso.
De acordo com o Ministério da Agricultura, a abertura para a carne bovina resfriada ampliou o acesso dos produtos brasileiros a um mercado considerado relevante no Sudeste Asiático e criou novas oportunidades para a cadeia de proteína animal, especialmente para os cortes refrigerados. Com aproximadamente 115,8 milhões de habitantes, as Filipinas importaram mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura.
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