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Brasil tem R$ 12 trilhões em imóveis públicos parados

  • 31 de jul.
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Enquanto o Brasil discute soluções para ampliar a oferta de moradias, escolas, hospitais e outros equipamentos públicos, um dos maiores patrimônios do país permanece, em grande parte, subutilizado. Um desperdício de R$ 12 trilhões.

Levantamento realizado pelo CIMI360, maior congresso do mercado imobiliário da América Latina, estima que o patrimônio imobiliário da União, dos estados e dos municípios alcance cerca de R$ 12 trilhões em valor de mercado atualizado.

O estudo, que será apresentado na abertura do CIMI360, em agosto, no Rio de Janeiro, revela que apenas a União possui cerca de 742 mil imóveis, dos quais uma parcela significativa está desocupada, invadida ou em uso irregular. Além de não cumprir sua função social, esses imóveis continuam gerando despesas para os cofres públicos.

Os dados têm como base o Acórdão nº 160/2024 do Tribunal de Contas da União (TCU) e informações da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Segundo o levantamento, o patrimônio da União é estimado entre R$ 1,35 trilhão, conforme o TCU, e R$ 1,72 trilhão, de acordo com a SPU.

Já os estados concentram aproximadamente R$ 800 bilhões em imóveis, enquanto os municípios somam cerca de R$ 2 trilhões. Atualizados a valor de mercado, esses ativos chegam aos R$ 12 trilhões estimados pelo CIMI360.

O diagnóstico evidencia a dimensão do desperdício. Atualmente, existem 2.487 imóveis vagos, 342 invadidos, 720 em utilização irregular e 112 imóveis desocupados há mais de 30 anos.

Além disso, 17.559 imóveis aguardam regularização, enquanto 2.829 já poderiam ser destinados imediatamente, abrindo espaço para projetos de habitação, equipamentos públicos ou iniciativas de desenvolvimento econômico.

Mesmo sem utilização, esse patrimônio continua consumindo recursos públicos. O levantamento aponta um gasto anual de aproximadamente R$ 62 milhões apenas com manutenção, enquanto a arrecadação gerada por esses ativos é de cerca de R$ 1,2 bilhão.

Nos casos em que há gestão eficiente, o retorno chega a R$ 20 para cada R$ 1 investido, demonstrando o potencial econômico desses imóveis quando adequadamente administrados.

“O país paga para não usar o que já é seu. Cada prédio parado é uma oportunidade urbanística perdida: poderia ser moradia, poderia ser escola, poderia ser hospital”, afirma Heitor Kuser, CEO e idealizador do CIMI360.

Fórum reúne governo, mercado e organismos internacionais para discutir soluções
A destinação do patrimônio imobiliário público será o principal tema do Fórum CIMI Imóveis Públicos, um dos destaques da programação do CIMI360.

O encontro reunirá representantes de órgãos públicos, instituições financeiras e entidades internacionais para discutir mecanismos capazes de transformar imóveis ociosos em ativos produtivos.

Participam dos debates representantes do Tribunal de Contas da União (TCU), Secretaria de Patrimônio da União (SPU), Emgea, BNDES, Caixa Econômica Federal, Ministério das Cidades e ONU-Habitat, entre outros.

Entre as propostas defendidas pelo setor estão a criação de convênios para avaliação de imóveis com corretores credenciados, a ampliação de parcerias público-privadas (PPPs) e a estruturação de fundos imobiliários voltados para ativos públicos.

“Ninguém avalia o valor real de um imóvel melhor do que um corretor. Com convênios de avaliação e parcerias com o setor privado, o poder público destrava esse estoque e transforma custo em receita”, destaca Heitor Kuser, que também preside o Instituto Nacional de Desenvolvimento de Imóveis Públicos (INDIP).

O tema ganha ainda mais relevância em 2026, quando o Cadastro Nacional de Avaliadores de Imóveis completa 20 anos.

Ano eleitoral e interesse internacional ampliam o debate
A discussão sobre a destinação dos imóveis públicos ganha força em um ano eleitoral, quando temas relacionados à gestão do patrimônio público, habitação e desenvolvimento urbano passam a ocupar espaço central no debate político e econômico.

Ao mesmo tempo, cresce o interesse internacional por esse mercado. Pela primeira vez, o CIMI360 sediará no Brasil o congresso da Confederação Imobiliária Latino-Americana (CILA), reunindo representantes de 16 países.

A expectativa da organização é receber mais de 10 mil participantes de 40 nações, muitos deles interessados nas oportunidades de investimento e desenvolvimento envolvendo o patrimônio imobiliário público brasileiro.

Para os organizadores, o desafio vai além da preservação dos ativos: trata-se de transformar imóveis hoje improdutivos em instrumentos de geração de receita, revitalização urbana e ampliação da oferta de serviços públicos, reduzindo desperdícios e impulsionando o desenvolvimento das cidades brasileiras.

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Gazeta de Varginha

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