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Condenado por homicídio entrega à PF documentos que aponta como provas contra políticos do Maranhão

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado por um homicídio em São Luís, entregou à Polícia Federal documentos e registros que, segundo sua defesa, podem ajudar a comprovar suspeitas envolvendo políticos e um suposto esquema de desvio de dinheiro público no Maranhão. Entre os materiais estão um papel escrito à mão com números de processos, uma etiqueta que acompanhava um maço de dinheiro em espécie e uma fotografia de um carro.

De acordo com a defesa de Gilbson, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e familiares teriam combinado com ele a cobrança de processos relacionados a valores que empresas tinham a receber de administrações anteriores, além do transporte de dinheiro para o escritório da família Brandão. As acusações fazem parte da versão apresentada pelo condenado à PF e ainda são objeto de investigação.

Segundo a defesa, Gilbson teria sido orientado a procurar empresas com valores a receber de governos anteriores, especialmente quantias superiores a R$ 5 milhões. A versão apresentada à Polícia Federal afirma que os pagamentos seriam realizados na gestão atual e que os empresários devolveriam parte do dinheiro. Uma relação de processos teria sido repassada ao condenado para identificar as empresas que poderiam ser procuradas.

Gilbson foi condenado, em 2024, a 13 anos de prisão pela morte de um homem a tiros em agosto de 2022, em um centro comercial de São Luís conhecido como Tech Office. Inicialmente, a Polícia Civil do Maranhão havia concluído que o crime estava relacionado a uma briga pessoal. Posteriormente, a Polícia Federal passou a investigar uma possível ligação entre o assassinato e um desentendimento envolvendo a divisão de propinas relacionadas a contratos públicos.

Na terça-feira (18), veio a público um depoimento prestado por Gilbson à Polícia Federal no qual ele afirmou ter participado de reuniões com Carlos Brandão no Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, e ter transportado dinheiro para o local. As declarações passaram a integrar a investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Flávio Dino.

Os materiais entregues à PF também estão relacionados, segundo a defesa, a supostos pagamentos feitos para que Gilbson permanecesse em silêncio. A defesa afirma que teria sido oferecida uma quantia mensal de R$ 30 mil, mas que apenas R$ 15 mil chegavam à família do condenado. Os pagamentos, ainda segundo o relato, seriam realizados por meio de um motorista de Marcus Brandão, irmão do governador.

Em um dos episódios citados pela defesa, uma fotografia teria sido feita do carro utilizado para entregar o dinheiro, com o objetivo de permitir a identificação do proprietário a partir da placa. Em outro pagamento, os maços de dinheiro teriam uma etiqueta identificável do Banco do Brasil. A família de Gilbson fotografou a etiqueta e apresentou o registro aos investigadores para auxiliar na identificação da agência bancária e de quem teria realizado o saque.

O caso também envolve Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Na segunda-feira (17), Flávio Dino determinou o afastamento dele do cargo por 180 dias. Daniel é suspeito de envolvimento nos crimes investigados e estava presente na reunião no Tech Office que antecedeu o homicídio. Ele nega as acusações e afirma que pretende comprovar sua inocência.

Carlos Brandão também nega as acusações. O governador questionou a credibilidade das declarações de Gilbson, destacando que ele é condenado por homicídio, e afirmou que não existem provas das acusações apresentadas contra ele. Brandão também declarou que sua defesa não teve acesso integral aos autos da investigação. As acusações apresentadas pelo condenado ainda precisam ser analisadas e confirmadas pelas autoridades responsáveis pela apuração.

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Gazeta de Varginha

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