top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

BYD amplia lucro e reforça estratégia internacional com avanço das operações no Brasil

  • há 6 horas
  • 4 min de leitura
BYD amplia lucro e reforça estratégia internacional com avanço das operações no Brasil
Divulgação/A BYD registrou alta de 30% no lucro no segundo trimestre de 2026 e teve, pela primeira vez, receita internacional superior à obtida na China. No Brasil, a montadora registrou 99.029 emplacamentos no primeiro semestre, crescimento de 107% em um ano.
Montadora chinesa registra alta de 30% no lucro no segundo trimestre, enquanto receita internacional supera pela primeira vez a obtida no mercado doméstico.

A BYD registrou no segundo trimestre de 2026 seu primeiro crescimento trimestral de lucro em cinco trimestres. O resultado foi impulsionado principalmente pelo avanço das exportações e pelo aumento da participação de veículos de maior valor no portfólio da montadora chinesa.

O lucro líquido alcançou 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,2 bilhão) entre abril e junho, alta de 30% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou ligeiramente acima das estimativas compiladas pela Bloomberg.

Apesar do avanço do lucro, a receita recuou cerca de 3%, para 194,6 bilhões de yuans (US$ 27,2 bilhões). Foi o quarto trimestre consecutivo de queda do indicador.

A diferença entre o desempenho do lucro e da receita está relacionada, principalmente, à mudança no perfil das vendas. As operações internacionais, que apresentam margens superiores, ganharam participação enquanto o mercado chinês enfrenta desaceleração e forte concorrência.

No primeiro semestre, a margem bruta da BYD chegou a 18,85%, ante 18,01% registrada no mesmo período de 2025.

Negócios internacionais superam mercado chinês
A expansão internacional passou a representar uma parcela cada vez maior dos negócios da montadora. No primeiro semestre, a receita das operações fora da China cresceu 34%, para 181,3 bilhões de yuans, representando 53% da receita total.

Foi a primeira vez que a BYD registrou uma receita maior no exterior do que em seu mercado doméstico.

As exportações também apresentaram crescimento significativo. Os embarques internacionais aumentaram 71% no primeiro semestre e ultrapassaram 790 mil veículos, segundo cálculos da Reuters baseados nos dados mensais divulgados pela companhia.

O volume correspondeu a 44% das vendas totais da montadora no período. A margem bruta das operações internacionais chegou a 22%, alta de 1,9 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Brasil ganha espaço na expansão da BYD
Entre os mercados internacionais, o Brasil passou a ocupar uma posição de maior relevância na estratégia de crescimento da companhia.

No primeiro semestre de 2026, a BYD registrou 99.029 emplacamentos no país, crescimento de 107% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados divulgados pela própria empresa.

O desempenho colocou a montadora na quarta posição do ranking geral de vendas de veículos no Brasil no acumulado do ano. Somente em junho, foram comercializadas 21.254 unidades.

A operação brasileira também ganhou importância com a fábrica de Camaçari, na Bahia. O complexo é considerado a maior unidade da BYD fora da China e recebeu investimentos para a produção de veículos elétricos e híbridos.

A fábrica possui capacidade inicial para 150 mil veículos por ano, com possibilidade de chegar a 300 mil unidades em uma segunda etapa.

A companhia também planeja utilizar Camaçari como plataforma de exportação para outros mercados latino-americanos. Entre os países considerados estão Argentina e México.

Produção nacional ainda avança gradualmente
Apesar da expansão da produção no Brasil, a BYD ainda trabalha na nacionalização de sua cadeia de fornecedores.

Parte dos veículos utiliza conjuntos parcialmente desmontados, conhecidos como SKD, enviados da China para posterior montagem no país. A intenção da companhia é aumentar gradualmente a participação de componentes produzidos localmente.

Antes da ampliação da produção em Camaçari, o mercado brasileiro era abastecido principalmente por veículos importados. Essa estratégia permitiu à empresa ampliar sua presença no país antes do aumento da capacidade produtiva local.

Apesar da importância crescente do Brasil, a BYD não divulga quanto o mercado brasileiro representa individualmente dentro de sua receita internacional. Os resultados financeiros são apresentados de forma agregada, sem detalhamento específico por país.

Mercado chinês enfrenta pressão
Enquanto as operações internacionais avançam, a BYD enfrenta um cenário mais desafiador na China, marcado por concorrência intensa, redução de incentivos e pressão sobre os preços.

A montadora disputa consumidores com empresas como Xiaomi e Xpeng, em meio à forte competição no mercado automotivo chinês.

No primeiro semestre, a BYD vendeu 1,81 milhão de veículos, volume que ainda fica abaixo do ritmo necessário para atingir a meta anual estabelecida entre 5 milhões e 5,5 milhões de unidades.

Diante das dificuldades no mercado doméstico, a empresa vem ampliando sua presença internacional, com novos modelos e operações em mercados como Japão e Europa, além da expansão na América Latina.

Expansão internacional traz novos desafios
O crescimento das operações internacionais também aumenta alguns riscos para a companhia. Ao final de junho, os estoques correspondiam a 109 dias de vendas, contra 79 dias um ano antes.

A BYD atribuiu parte desse aumento ao maior tempo necessário para transportar os veículos até os mercados internacionais.

A companhia também enfrenta possíveis barreiras comerciais em mercados estratégicos. Na Europa, novas tarifas sobre veículos híbridos produzidos na China aparecem entre os fatores de risco para a expansão.

Além disso, a BYD adiou para o quarto trimestre o início da produção em sua fábrica na Hungria, aproximadamente um ano depois da previsão inicial.

Com a pressão sobre o mercado chinês, a expansão internacional passou a ter papel cada vez mais importante na estratégia da montadora. Nesse cenário, o Brasil, impulsionado pelo crescimento das vendas e pela fábrica de Camaçari, ganhou espaço entre os mercados estratégicos da BYD.
Fonte: BPMoney

Comentários


Gazeta de Varginha

bottom of page