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Caiado reconhece vitória de Lula, Zema contesta eleição e Renan Santos descarta fraude

há 2 horas
4 min de leitura
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, confirmada neste domingo (25), provocou reações distintas entre políticos que disputaram o primeiro turno das eleições de 2026. Enquanto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), reconheceu a decisão das urnas, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) contestou a condução do processo eleitoral. Já Renan Santos (Missão) descartou a possibilidade de fraude e atribuiu a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) à rejeição ao bolsonarismo.

O resultado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro também foi comentado pelo governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Ele reconheceu a legitimidade da votação e defendeu que o próximo período de governo seja marcado por responsabilidade fiscal e respeito aos estados administrados por adversários políticos.

Augusto Cury (Avante), que também concorreu à Presidência no primeiro turno e declarou apoio a Flávio Bolsonaro na etapa final da eleição, não havia se manifestado publicamente sobre a vitória de Lula até a publicação da reportagem.

Romeu Zema contesta a eleição e fala em “golpe à la Venezuela”

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema lamentou a vitória de Lula e fez acusações contra o presidente reeleito. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou, sem apresentar provas, que o resultado teria sido consequência de um suposto “golpe à la Venezuela”.

“O Lula aplicou um golpe à la Venezuela, a mesma coisa que o seu companheiro e ditador fez lá prorrogando o prazo da eleição”, declarou.

Zema também classificou a disputa como a eleição mais alarmista e mentirosa que já teria presenciado no Brasil. O ex-governador acusou apoiadores do PT de disseminarem informações falsas durante a campanha e criticou a ausência de consequências para quem, segundo ele, teria cometido esse tipo de irregularidade.

“Essa foi a eleição mais alarmista e mentirosa que eu já vi no Brasil, mas se é para somar para o lado deles vale tudo”, afirmou.

Em outra publicação, o ex-governador voltou a questionar a condução da disputa e criticou o que considerou falta de punição à disseminação de notícias falsas. Ele também previu consequências negativas para o país após a vitória petista.

Nas manifestações, Zema ainda atacou o governo do PT, apontou problemas nas áreas de educação e segurança pública e criticou a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ex-governador havia disputado o primeiro turno pelo Novo e, depois da definição dos candidatos que avançaram para a etapa final, declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

Ronaldo Caiado reconhece a decisão das urnas

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou uma postura diferente da de Zema. Apesar de ter apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno, Caiado reconheceu a vitória de Lula e afirmou que a decisão da maioria dos eleitores deve ser respeitada.

Durante uma entrevista coletiva em Goiânia, realizada neste domingo (25), o governador disse que a proposta de renovação política era o principal objetivo daqueles que apoiaram o senador na disputa final.

“Uma renovação. Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica”, declarou Caiado.

O governador havia anunciado apoio a Flávio Bolsonaro em 6 de outubro, após a definição do segundo turno.

Daniel Vilela, governador eleito de Goiás pelo MDB, também se pronunciou sobre o resultado. Ele afirmou que a votação representa a vontade da população brasileira e defendeu que o governo federal adote uma postura diferente em relação às administrações estaduais.

Vilela cobrou responsabilidade fiscal e pediu que o governo federal não utilize critérios políticos para retaliar estados comandados por adversários.

“A votação das urnas é soberana. Democratas como somos, temos que reconhecer o resultado das urnas, a vontade do povo brasileiro”, afirmou.

O governador eleito também expressou a expectativa de que o próximo governo promova mudanças na condução das contas públicas e mantenha uma relação institucional com estados que não integram sua base política.

Renan Santos descarta fraude e critica o bolsonarismo

O ex-candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, afirmou que não houve fraude eleitoral e classificou como expressiva a campanha realizada pelo PT. Em vídeos publicados nos stories do Instagram após a confirmação do resultado, ele criticou apoiadores de Flávio Bolsonaro que levantaram suspeitas sobre a votação.

“Não teve fraude na eleição. Todo mundo que viu a campanha sabe que a campanha do petismo foi colossal. E a do bolsonarismo também foi”, declarou.

Na avaliação de Renan, a derrota de Flávio Bolsonaro demonstra que a rejeição ao bolsonarismo é maior do que a resistência ao petismo. Para ele, embora o movimento bolsonarista tenha força para conquistar mandatos parlamentares e governos estaduais, enfrenta dificuldades para reunir a maioria do eleitorado em uma eleição presidencial.

“O antibolsonarismo é maior que o antipetismo. Acho que isso está provado”, afirmou.

Renan também criticou o comportamento de integrantes da família Bolsonaro e de aliados políticos durante a campanha. Segundo ele, a postura de parte do grupo contribuiu para afastar eleitores que não necessariamente apoiavam o PT, mas rejeitavam o bolsonarismo.

O ex-candidato relatou conhecer mulheres que nunca haviam votado no Partido dos Trabalhadores, mas decidiram apoiar Lula no segundo turno por não concordarem com atitudes de políticos ligados ao movimento bolsonarista.

Além disso, Renan pediu que familiares e amigos de apoiadores de Flávio Bolsonaro tentassem evitar que eles participassem de manifestações contra o resultado eleitoral.

“Não deixem as pessoas irem para as ruas. Estou falando sério, não deixem as pessoas correrem risco. Peço de coração”, declarou.

Ele também criticou políticos que incentivam protestos com alegações de fraude eleitoral, mas não questionam os próprios mandatos conquistados pelo mesmo sistema de votação.

Ao final das manifestações, Renan defendeu que os diferentes grupos políticos busquem diálogo para enfrentar os problemas econômicos e institucionais do país.

Augusto Cury ainda não havia comentado o resultado

O escritor Augusto Cury, candidato pelo Avante no primeiro turno, não havia publicado uma manifestação sobre a vitória de Lula até a divulgação da reportagem.

Cury havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas permaneceu sem comentar publicamente o resultado da eleição.

As reações dos ex-candidatos evidenciaram diferenças na maneira como os adversários de Lula receberam a confirmação da vitória. Enquanto Caiado reconheceu a decisão da maioria e Renan Santos rejeitou suspeitas de fraude, Zema contestou a condução do processo eleitoral e fez acusações sem apresentar provas.

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