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Davi Alcolumbre afirma ter ao menos 48 votos para se reeleger presidente do Senado e descarta pautar impeachment de Alexandre de Moraes

há 1 hora
3 min de leitura
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores que já conta com pelo menos 48 votos para conquistar a reeleição ao comando da Casa em 2027. Além de demonstrar confiança na própria articulação política, ele sinalizou que não pretende colocar em pauta pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os que envolvem Alexandre de Moraes, com quem mantém proximidade.

Alcolumbre também declarou estar disposto a enfrentar qualquer candidato apresentado pelo Partido Liberal (PL) na disputa pela presidência do Senado. Na avaliação do parlamentar, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026 pode favorecer sua estratégia para permanecer no cargo.

O PL, que terá a maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2027, com 29 parlamentares, planeja lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar o comando da Casa. Marinho foi coordenador da campanha presidencial derrotada de Flávio Bolsonaro.

Apesar do tamanho da bancada do PL, Alcolumbre aposta no apoio de partidos do Centrão e de outras legendas interessadas em limitar a influência dos liberais sobre o Legislativo.

Centrão pode ser decisivo na disputa

A estratégia de Alcolumbre considera a movimentação de partidos que buscam manter influência sobre as duas Casas do Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) já recebeu manifestações de apoio à sua candidatura à reeleição.

Em reunião realizada em 14 de outubro, representantes do União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSD e Solidariedade manifestaram apoio à continuidade de Motta na presidência da Câmara.

A articulação lembra a aliança construída em 2025, quando o deputado recebeu 444 votos para assumir o comando da Casa, com o apoio de uma coalizão de 17 partidos, entre eles PT e PL.

Um dos fatores que podem favorecer Alcolumbre é sua proximidade com Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP) e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Nogueira declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, mas a articulação em torno da presidência da Câmara envolve interesses políticos mais amplos.

O apoio à continuidade de Hugo Motta no cargo é apontado como um dos elementos que podem influenciar as negociações para a composição de forças no Congresso na próxima legislatura.

Alcolumbre rejeita pautar impeachment de ministros do STF

Além de tratar da própria sucessão, Alcolumbre sinalizou que não pretende colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Alexandre de Moraes é um dos principais nomes envolvidos nesse debate, especialmente entre parlamentares da oposição.

A posição representa um obstáculo para setores do PL que defendem uma postura mais dura do Senado em relação ao STF. Como presidente da Casa, Alcolumbre exerce papel central na condução da agenda legislativa e na análise dos pedidos apresentados contra integrantes da Corte.

A decisão de não pautar esses processos, portanto, pode limitar as possibilidades de avanço das iniciativas defendidas por parlamentares que pretendem pressionar ministros do Supremo.

Rodrigo Pacheco também aparece nas articulações

Alcolumbre indicou ainda que pretende defender a nomeação do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que assumiu uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

A movimentação está relacionada às negociações políticas mantidas entre Alcolumbre e o governo federal. Segundo a articulação descrita por interlocutores, a possibilidade de Pacheco ocupar outro posto institucional fazia parte de um entendimento que envolvia a tramitação da proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC 6x1.

A proposta, que trata da redução da jornada de trabalho e da revisão do modelo de seis dias trabalhados para um de descanso, avançou no debate político entre os dois turnos da eleição presidencial.

O contexto eleitoral também influenciou as negociações entre o governo e lideranças do Congresso. A reeleição de Lula alterou o cenário político e fortaleceu a expectativa de continuidade de determinadas alianças parlamentares.

Disputa deve se intensificar em 2027

A eleição para a presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, os partidos devem intensificar as negociações para definir candidaturas e consolidar alianças.

Mesmo com o PL ampliando sua presença na Casa, Alcolumbre acredita que a articulação com o Centrão e com outras legendas será suficiente para garantir sua permanência no comando do Senado.

O resultado dependerá da capacidade dos grupos políticos de manter os compromissos assumidos e reunir votos no momento da eleição interna. A disputa também deverá influenciar a relação entre o Legislativo, o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, sobretudo em temas como indicações para cargos, propostas econômicas e pedidos de impeachment de ministros.

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