Cartas apreendidas revelam orientações de ex-auditor preso em investigação sobre esquema bilionário em São Paulo
12 de jun.
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Cartas manuscritas apreendidas pelo Ministério Público de São Paulo durante uma operação de busca e apreensão na residência do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto revelaram tentativas de alinhamento entre investigados no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro apurado pela Operação Ícaro.
Os documentos foram encontrados durante o cumprimento de mandados judiciais realizados na quarta-feira (10). Em uma das mensagens, o ex-auditor solicita que um dos investigados assine uma procuração em favor do advogado responsável pela defesa do grupo. No texto, ele afirma que a medida seria importante para que todos conseguissem superar os processos em andamento.
Outra anotação, intitulada “obrigações a fazer”, reúne referências a pagamentos e movimentações financeiras. Entre os apontamentos encontrados pelos investigadores aparecem expressões relacionadas a negociações de dívidas, recebimento de honorários e outras atividades financeiras.
Em uma carta destinada a um investigado identificado como Rafael, Artur orienta que não sejam feitos acordos de colaboração com o Ministério Público. Na mensagem, ele pede que o destinatário não realize delação e afirma que o grupo conseguiria resolver a situação. O texto foi assinado com o apelido “The King”.
Segundo as investigações, também foram apreendidos documentos contendo cálculos e anotações que fariam referência ao pagamento de valores periódicos para investigados e familiares. Os papéis são analisados pelas autoridades como possíveis indícios da continuidade da atuação da organização criminosa.
Os levantamentos realizados pelos investigadores apontam que os prejuízos relacionados ao esquema já superam R$ 8,5 bilhões. De acordo com os dados reunidos até o momento, a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo contabiliza R$ 5,75 bilhões em danos ligados às irregularidades, sendo R$ 1,93 bilhão referentes a créditos de ressarcimento e R$ 3,82 bilhões associados a outros créditos investigados.
Artur Gomes da Silva Neto havia sido colocado em liberdade no fim de maio, mas o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos (Gedec) apresentou novos pedidos de prisão preventiva, que foram aceitos pela Justiça. O ex-auditor voltou a ser preso na quarta-feira (10), em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo.
De acordo com a apuração, o investigado responde atualmente a sete ações penais e poderá ser alvo de outras denúncias. O Ministério Público atribui a ele o papel central em uma organização criminosa voltada à obtenção fraudulenta de créditos de ICMS junto à Secretaria da Fazenda paulista. As investigações também indicam a prática de mais de 130 crimes relacionados a corrupção e lavagem de dinheiro.
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