Caso Barbacena: UFMG admite uso de cadáveres e formaliza pedido de desculpas
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Divulgação
UFMG pede desculpas por uso de corpos do Hospital Colônia de Barbacena em ensino.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) formalizou, no último dia 9 de abril, um pedido público de desculpas à sociedade brasileira pelo uso de cadáveres de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena em atividades de ensino ao longo do século XX.
A medida ocorre após atuação da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, vinculada ao Ministério Público Federal em Minas Gerais, e integra um conjunto de ações de Justiça de Transição, voltadas à reparação simbólica de vítimas de graves violações de direitos humanos no sistema psiquiátrico brasileiro.
O caso foi apurado por meio de inquérito civil público que investigou a política de internação compulsória em Barbacena. Conforme as investigações, corpos de pacientes que morriam na instituição — muitos sepultados como indigentes — eram comercializados para instituições de ensino médico, sendo utilizados em aulas de anatomia.
Registros históricos apontam que a Faculdade de Medicina da UFMG esteve entre as principais receptoras desses corpos, especialmente a partir da década de 1960, com centenas de casos documentados.
Medidas de reparação
A atuação do MPF, conduzida pelo procurador da República Angelo Giardini de Oliveira, resultou em um acordo que vai além do pedido de desculpas, prevendo ações concretas de reparação e preservação da memória.
Entre os compromissos assumidos pela universidade estão a realização de uma cerimônia pública, a inclusão do tema das violações de direitos humanos na saúde mental e do histórico de aquisição de corpos nas disciplinas de Anatomia e História da Medicina, além da criação de espaços de memória em três áreas da Faculdade de Medicina.
Outro ponto previsto é a restauração e conservação do livro histórico de registro de cadáveres, documento que reúne nomes e informações sobre as pessoas oriundas de Barbacena.
Memória e justiça
As medidas fazem parte do conceito de Justiça de Transição, que busca enfrentar legados de violações massivas de direitos humanos, assegurando o direito à verdade e promovendo ações para evitar a repetição de práticas semelhantes.
O caso do Hospital Colônia de Barbacena, frequentemente chamado de “Holocausto Brasileiro”, é considerado um dos episódios mais graves da história da saúde mental no país, tendo resultado na morte de mais de 60 mil pessoas em condições desumanas.
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