Caso Gisele: tenente-coronel acusa peritas de armação, mas laudos e imagens contestam sua versão
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Reprodução Redes Sociais
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, afirmou que peritas responsáveis pela investigação manipularam elementos da reprodução simulada do crime para incriminá-lo. A acusação foi feita durante seu interrogatório, em que ele contestou a análise técnica e sustentou que Gisele morreu por suicídio. No entanto, laudos periciais e imagens registradas por policiais que atenderam à ocorrência apresentam elementos que contradizem seu relato.
Um dos principais pontos discutidos foi a posição de uma árvore de Natal que estava na sala do apartamento do casal. Geraldo afirmou que as peritas teriam remontado o objeto durante a reprodução simulada para prejudicar sua defesa.
“As peritas foram, remontaram a árvore, demoraram ali quase 10 minutos pra remontar a árvore. Só pra me acusar”, declarou o tenente-coronel durante o depoimento.
Segundo a versão apresentada por ele, na manhã da morte de Gisele, havia encerrado o relacionamento e estava tomando banho quando ouviu um barulho forte. Ao sair do banheiro, disse ter encontrado a esposa caída na sala. O oficial afirma que não matou a mulher e sustenta que ela tirou a própria vida.
A reprodução simulada, porém, apontou uma divergência relacionada à visibilidade do ambiente. De acordo com a análise pericial, a árvore de Natal encobria parte do campo de visão do tenente-coronel, o que contraria a descrição apresentada por ele sobre o que teria visto ao deixar o banheiro.
Imagens feitas pelos policiais militares que foram ao apartamento também registraram a árvore na sala. Os registros mostram o objeto no ambiente, e um bombeiro que participou do atendimento confirmou sua posição. Esses elementos são usados para confrontar a alegação de que as peritas teriam alterado a cena com o objetivo de incriminar o oficial.
Defesa contesta laudos e pede liberdade
O caso envolve outras divergências entre a versão do tenente-coronel e as conclusões da investigação. Geraldo sustenta que Gisele pegou uma pistola calibre .40 que estava sobre um armário e atirou contra a própria cabeça enquanto ele tomava banho.
Um dos laudos, entretanto, aponta que a soldado tinha 1,65 metro de altura e não conseguiria alcançar a arma na posição descrita. O oficial contesta essa informação e afirma que a esposa seria cerca de dez centímetros mais alta. A defesa pretende solicitar uma nova verificação da altura da vítima.
Geraldo também contestou mensagens trocadas pelo casal sobre a separação. Segundo informações apresentadas durante o processo, conversas recuperadas do celular de Gisele indicam que ela havia manifestado a intenção de se divorciar. O tenente-coronel afirmou que a esposa simulava querer terminar o relacionamento e que, em ocasiões anteriores, ele deixou de iniciar o processo de divórcio a pedido dela.
A defesa da família de Gisele contestou essa explicação. O advogado José Miguel da Silva Júnior afirmou que a alegação de que a soldado fingia querer a separação não tem credibilidade. Já o advogado do tenente-coronel, Eugênio Malavasi, declarou que a discussão sobre as mensagens foi apenas uma parte do interrogatório e defendeu que seu cliente apresentou uma cronologia precisa dos acontecimentos.
Durante o depoimento, Geraldo também atribuiu supostas alterações de humor da esposa ao uso de oxandrolona. Entretanto, informações sobre o exame toxicológico realizado no corpo da soldado indicaram que a substância não foi detectada.
Ao final da audiência, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido ainda depende de análise judicial, após a manifestação das partes envolvidas no processo.
Próximos passos do processo
Geraldo Leite Rosa Neto responde à acusação de feminicídio e fraude processual pela morte da esposa. Ele nega ter cometido o crime e contesta as conclusões da perícia. A Justiça deverá avaliar os argumentos da acusação e da defesa antes de decidir se o caso será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri ou se haverá outra decisão processual.
Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu em 18 de fevereiro de 2026, após ser atingida por um disparo na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio, mas a investigação passou a considerar a hipótese de feminicídio diante dos elementos reunidos.
O caso também inclui a apuração de possíveis alterações em registros e mensagens do celular da vítima. Relatórios apontaram que o aparelho foi desbloqueado e que mensagens foram apagadas minutos após o disparo. A perícia conseguiu recuperar conversas relacionadas à separação do casal.
A decisão sobre o futuro do processo será tomada após a análise das provas e das manifestações finais. Até uma decisão definitiva da Justiça, o tenente-coronel permanece acusado e nega responsabilidade pela morte da esposa.
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