Centenas de conversas compartilhadas no Claude aparecem em buscas e ficam acessíveis publicamente
28 de jul.
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Centenas de conversas de usuários com o Claude, chatbot de inteligência artificial desenvolvido pela Anthropic, foram encontradas disponíveis publicamente na internet. Os registros, alguns contendo informações pessoais e profissionais, apareciam em mecanismos de busca quando usuários pesquisavam termos específicos relacionados ao site.
As conversas que ficaram acessíveis haviam sido compartilhadas pelos próprios usuários por meio de links. Depois disso, os registros foram encontrados e indexados por mecanismos de pesquisa, como o Google, o que permitiu que qualquer pessoa tivesse acesso ao conteúdo. A possibilidade de localizar os chats por meio das buscas foi retirada durante o fim de semana, mas parte das conversas já havia sido salva e compartilhada amplamente na internet.
Uma porta-voz da Anthropic afirmou que os usuários mantêm o controle sobre quando e se desejam compartilhar suas conversas. Segundo ela, os links não seriam previsíveis ou detectáveis enquanto não fossem compartilhados pelos próprios usuários. A empresa também destacou que, a partir do momento em que uma conversa é disponibilizada publicamente, ela pode ser arquivada por serviços de terceiros, assim como outros conteúdos acessíveis na web.
A ferramenta de compartilhamento do Claude informa que qualquer pessoa que tenha o link pode visualizar o conteúdo, mas não deixa explícito que uma conversa compartilhada poderia aparecer posteriormente em resultados de pesquisa do Google. Usuários do Reddit foram os primeiros a identificar os chats disponíveis publicamente. A descoberta reuniu mais de 200 conversas distribuídas em pelo menos 25 páginas de resultados, incluindo registros de interações realizadas poucas semanas antes.
Os conteúdos encontrados abordavam assuntos variados. Em uma conversa de abril, um usuário pediu ao Claude a elaboração de uma postagem inédita para um blog sobre segurança na nuvem e forneceu detalhes relacionados a um projeto corporativo. Em outro diálogo, realizado no mês anterior, uma pessoa perguntou como poderia “se tornar a Raposa de Nove Caudas” e depois esclareceu que desejava literalmente se transformar de humano na criatura. O chatbot chegou a tentar apresentar uma imagem gerada por inteligência artificial, afirmando que o usuário havia recebido “poderes de raposa totalmente funcionais”.
Também foram localizadas conversas em que usuários buscavam auxílio para elaborar currículos. Alguns desses registros continham nomes, informações de contato e histórico profissional. Outros aparentavam envolver pesquisas confidenciais relacionadas ao trabalho, incluindo conteúdo da área da saúde e transcrições de conversas privadas, ampliando o risco de exposição de informações que poderiam não ter sido destinadas ao acesso público.
O episódio envolvendo o Claude não é isolado entre plataformas de inteligência artificial. No ano passado, a OpenAI enfrentou um problema semelhante relacionado à exposição pública de registros de conversas do ChatGPT e posteriormente modificou a forma como esses conteúdos eram acessados. O Grok, chatbot de IA da plataforma X, também teve centenas de milhares de registros de conversas disponibilizados publicamente por meio de buscas online no ano passado.
O Google, por sua vez, afirmou que não controla quais páginas são tornadas públicas na internet. Um porta-voz da empresa explicou que essa decisão cabe aos próprios sites e destacou que os administradores têm ferramentas para determinar se suas páginas podem ser rastreadas ou indexadas pelos mecanismos de busca, acrescentando que essas orientações são respeitadas pela companhia.
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