Cidade do sul de minas sente impacto do caso Banco Master; rombo no IPREM ameaça aposentadorias
há 5 horas
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Servidores municipais de Pouso Alegre, no Sul de Minas, podem enfrentar dificuldades para receber aposentadorias nos próximos anos. O alerta foi feito pelo Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (IPREM), que aponta prejuízo milionário em um fundo imobiliário ligado ao Banco Master, além de um déficit atuarial superior a R$ 1,1 bilhão.
Segundo o presidente do instituto, Daniel Ribeiro Vieira, em 2013 foram aplicados R$ 10 milhões em um fundo administrado pelo Banco Master. Desde então, o IPREM acumulou perdas próximas de R$ 8 milhões. Ele explica que parte da desvalorização está ligada a altas taxas de administração e gestão, além de despesas com contabilidade, advocacia e auditoria independente. “Muitas dessas desvalorizações vêm por conta de altas taxas de administração e gestão dentro do fundo, pagamento de escritório de contabilidade, pagamento de escritório de advocacia, pagamento de auditor independente. Então, isso faz com que o dinheiro vá saindo aos poucos”, afirmou.
Em 2025, o principal ativo do fundo foi dado em dação em pagamento, mecanismo em que o credor aceita receber algo diferente do inicialmente acordado para quitar a dívida. Cotistas ligados aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) se posicionaram contra a medida, mas outros fundos sob administração do banco aprovaram a decisão.
O problema vai além desse investimento. Entre 2011 e 2017, o instituto aplicou R$ 182 milhões em 17 fundos de um mesmo conglomerado financeiro, todos com algum tipo de dificuldade. Parte dos valores foi recuperada, mas o impacto ainda pesa nas contas da previdência municipal. Atualmente, o IPREM registra déficit atuarial estimado em R$ 1,1 bilhão. Segundo Daniel Ribeiro Vieira, se o cenário não for revertido, em cerca de 15 anos o instituto poderá não ter recursos suficientes para pagar aposentadorias, obrigando a Prefeitura a assumir os compromissos.
A situação se agrava diante do cenário do Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e uso de títulos sem lastro. O proprietário, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal em novembro do ano passado e cumpre prisão domiciliar. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após concluir que o banco não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros. As atividades foram encerradas e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado.
O FGC garante ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. No entanto, essa cobertura não se aplica a investimentos em fundos imobiliários, como o realizado pelo IPREM, o que amplia a preocupação quanto à recuperação dos recursos.
O prejuízo acumulado ao longo dos anos, somado ao déficit atuarial bilionário, impõe cenário desafiador à gestão previdenciária do município.
Caso não haja recomposição financeira, a responsabilidade pelo pagamento dos aposentados poderá recair sobre o orçamento da Prefeitura, afetando a saúde fiscal do município e a segurança financeira dos servidores.
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