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Clínica em Salvador é interditada após cirurgias de catarata resultarem em perda de visão e complicações graves

  • há 43 minutos
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, apurações continuam em Salvador (BA) sobre uma série de complicações após cirurgias de catarata realizadas em uma clínica oftalmológica da capital baiana, que acabaram levando à interdição do estabelecimento pela Prefeitura Municipal.

As cirurgias sob investigação foram feitas no dia 26 de fevereiro de 2026 na clínica Clivan, localizada na Avenida Anita Garibaldi, e vinham sendo realizadas por meio de convênio com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo relatos de pacientes e familiares à imprensa, após os procedimentos muitos tiveram sintomas graves no pós-operatório, incluindo dores intensas, olhos lacrimejantes, sangramento e piora da visão. Parte das pessoas apresentou infecções e complicações que evoluíram para perda da visão de um dos olhos, em alguns casos com necessidade de remoção do globo ocular em hospitais da capital.

Até o momento, familiares e pacientes afirmam que seis pessoas tiveram de ter o globo ocular retirado em decorrência da infecção e da perda de visão no olho operado, segundo relatos obtidos por meios de comunicação. As remoções ocorreram em unidades como o Hospital Geral do Estado (HGE) e o Hospital Santa Luzia, onde alguns dos pacientes foram atendidos após o agravamento dos sintomas.

Parentes de vítimas relataram que os sintomas se manifestaram em diferentes intensidades, variando de dor intensa a dificuldade de abrir o olho, e que vários pacientes procuraram atendimento médico nos dias seguintes às cirurgias. Em pelo menos um caso, familiares registraram um boletim de ocorrência contra a clínica na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) em Salvador.

Em nota, a SMS informou que, ao tomar conhecimento das denúncias, interditou a clínica e suspendeu o convênio com a Prefeitura após avaliar as queixas. A pasta destacou que, apesar das complicações relatadas pelos pacientes, a unidade estava regularmente licenciada pela Vigilância Sanitária Municipal e possuía alvará sanitário vigente no momento em que os procedimentos foram realizados.

A secretaria também adotou medidas cautelares, incluindo a suspensão cautelar do alvará sanitário da clínica, a interdição temporária dos serviços ligados aos procedimentos sob apuração e a instauração de um processo administrativo sanitário para verificar as condições de funcionamento da unidade e a conformidade com normas técnicas.

A SMS informou que os pacientes identificados estão sendo acompanhados pela rede municipal de saúde para continuidade de tratamento e que o caso está sendo tratado como apuração técnica complexa, dado que envolve pacientes cadastrados em diferentes regiões, atendimentos pactuados entre municípios e possíveis inconsistências em bases de dados assistenciais.

Diversos órgãos foram acionados para acompanhar as investigações: a SMS comunicou o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), que realizou fiscalização na clínica. A SESAB (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia) também disse que não encaminhou pacientes com complicações pela rede estadual e que o convênio com a clínica havia sido encerrado em dezembro de 2025, antes dos casos relatados.

A representante legal de alguns dos pacientes, advogada Eveline Santos, afirmou em entrevistas que os casos estão sob investigação e que há relatos de diagnóstico de infecção bacteriana em ao menos alguns dos pacientes, mas que a causa precisa ser esclarecida oficialmente pelas autoridades de saúde.

Em comunicado oficial, a clínica Clivan defendeu que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos durante as cirurgias, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-operatório, e ressaltou que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, alegando um histórico de segurança e qualidade no atendimento. A unidade afirmou que permanece à disposição para esclarecimentos e que continua acompanhando os pacientes afetados.

Até o momento, as investigações ainda estão em andamento e não há conclusão oficial sobre a causa específica das infecções ou da perda de visão dos pacientes, nem sobre responsabilidades definitivas. As autoridades sanitárias e judiciais seguem coletando dados e evidências para esclarecer o caso.

Gazeta de Varginha

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