Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 03/07/2026
há 10 horas
8 min de leitura
RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Em 2025 Agronegócio alcançou R$ 279 bilhões, representando 24,1% da economia estadual
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais alcançou R$279 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 2010. O resultado representa 24,1% da economia estadual. Segundo dados da Fundação João Pinheiro (FJP), o setor registrou crescimento nominal de R$42,6 bilhões em relação a 2024, quando o PIB do agronegócio foi de R$236,3 bilhões. A expansão foi impulsionada pela valorização dos produtos agropecuários, com alta média de 16% nos preços, e pelo aumento de 1,7% no volume de produção. É o terceiro ano consecutivo em que o agronegócio mineiro bate recorde de participação na economia do estado. De acordo com a FJP, a maior parte do avanço ocorreu nas atividades primárias, como agricultura, pecuária e produção florestal. O Valor Adicionado Bruto (VAB) dessas atividades chegou a R$98,2 bilhões em 2025, um aumento de R$28,5 bilhões em relação ao ano anterior. Em termos reais, o segmento cresceu 3,2%, enquanto os preços registraram alta estimada de 36,5%. Já a agroindústria e os serviços ligados ao setor passaram de R$166,6 bilhões em 2024 para R$180,8 bilhões em 2025, crescimento nominal de R$14,2 bilhões. Os segmentos de fabricação de alimentos e de celulose foram apontados como alguns dos principais responsáveis pelo desempenho, além do impacto positivo sobre transporte, armazenagem, comércio, alimentação e serviços financeiros. Ainda segundo o levantamento, o volume do PIB do agronegócio cresceu acima da média da economia mineira: 1,7% contra 1,4%.
Todos têm conhecimento?
Uma fala pública da vereadora Ana Rios trouxe desconforto para todos os integrantes do Legislativo municipal e virou motivo para novo embate entre vereadores. A sessão da Câmara Municipal de Varginha realizada na semana passada foi marcada por mais um momento de tensão entre parlamentares. Durante os debates, a vereadora Ana Rios mencionou uma suposta denúncia envolvendo o vereador Bruno Leandro e afirmou que o assunto seria de conhecimento de todos os vereadores, depois de ter sido supostamente comentado no final de 2025, quando ainda era presidente da casa o vereador cassado Marquinho da Cooperativa. Em resposta, na mesma sessão pública, Bruno Leandro negou as alegações e afirmou que buscaria as medidas cabíveis para que as declarações sejam apuradas e comprovadas. Até o momento, não há informações sobre a apresentação de provas do alegado pela vereadora Ana Rios. Nos bastidores, vereadores da base governista e da oposição ouvidos pela coluna, apontam estranheza na fala da colega. “Se ela (Ana Rios) ou o ex-presidente (Marquinhos da Cooperativa) tinham conhecimento de algo irregular na Câmara desde 2025 e nada fizeram, erram e precisam se explicar ao invés de querer acusar outras pessoas”, disse um edil à coluna. O episódio gerou repercussão entre os vereadores e voltou a chamar a atenção para os debates e divergências que têm marcado algumas sessões do Legislativo municipal. Fato é que a Câmara tem uma CPI em andamento, para analisar as irregularidades ocorridas na Secretaria Municipal de Obras, bem como outros temas graves e urgentes que envolvem a cidade, todavia, os vereadores parecem só ter tempo para brigas pessoais e intrigas que começaram no Executivo, mas desaguam no Legislativo e estão tomando a agenda da casa.
Gol de placa?
O retorno da linha férrea para Varginha é um projeto antigo, que envolve a participação de muitas pessoas, sobretudo do Governo municipal, embora tenhamos políticos de todos os grupos colaborando para o retorno do transporte ferroviário na cidade. O crescimento dos investimentos das empresas na região, criando centros de distribuição na cidade e o ponto estratégico de Varginha no sudeste brasileiro tornam o retorno da linha férrea uma necessidade para a economia regional e pode estar muito próxima de sair. Embora alguns trechos da antiga linha férrea tenham sido invadidos, e boa parte dos trilhos nas regiões urbanas já tenham sido roubados, fato é que o espaço da linha existe e seu traçado terá poucas mudanças para voltar a funcionar, não ficando caro seu retorno. Além disso, o mais importante é que já existe a demanda pelo transporte férreo na região, com empresas prontas a contratar o serviço assim que estiver em funcionamento. O Governo Ciacci “jura que desta vez o investimento sai” e pode estar certo! E o retorno será um gol de placa para o governo municipal, que terá um atrativo a mais para concorrer com cidades como Pouso Alegre e Extrema que disputam diretamente com Varginha o investimento das empresas que precisam de transporte barato. O prefeito Ciacci esteve em Brasília e Belo Horizonte com lideranças dos governos federal e estadual e caso realmente consiga o retorno da linha antes de 2028 terá um bom projeto com DNA deste governo para apresentar! A conferir!
Gol de placa – parte 02
Novas empresas já estão se instalando em Varginha com a suposta informação de bastidores de que a linha férrea vai sair. O difícil é saber quando, pois estamos num ano eleitoral onde muitas promessas são realizadas e nem todas saem do papel. Mas pelo porte das empresas que estão apostando na volta do trem, algo novo está na mesa! Além disso, muitos grupos empresariais fortes estão envolvidos diretamente no projeto, e acredito que o Porto Seco de Varginha seria o menor deles, logo, tem muita “gente grande no negócio”. Isso porque a ligação férrea de Varginha com o litoral agrada o agronegócio, que é um dos principais pilares políticos de Minas, além de também beneficiar o setor minerário, com crescentes investimentos na região. O Governo Federal já prepara a papelada e provisiona recursos para o retorno de investimentos ferroviários na região, mas não se acredita que este governo Lula veria o final da obra. Ou seja, qualquer obra efetiva nos trechos regionais somente ocorreria em 2027, ano em que se espera muito arrojo econômico e represamento de gastos por parte do Governo Federal. Neste sentido, faz ainda mais necessária a retomada da linha férrea para dinamizar a economia regional e até estadual. Não se pode duvidar ainda da possibilidade dos governos liberarem tudo para o retorno da linha, mas jogarem os custos para a iniciativa privada pagarem a conta, que parece o mais provável. Neste caso, o projeto pode sair com maior rapidez e eficiência, mas ficará claro que trata-se de um projeto privado, com apoio político regional e neste contexto, a Gestão Ciacci pode ser beneficiada por ter acreditado desde o início.
Pinga Fogo
O governo municipal realizou leilão de veículos antigos e equipamentos obsoletos, está renovando a frota e modernizando a estrutura. O desafio é dar aos equipamentos públicos a mesma vida útil que os veículos possuem na iniciativa privada! Um desafio
A equipe da concessionária EPR realizou um parto na estrada a algumas semanas atrás. A concessionária tem equipe preparada para todas as eventualidades, por sorte que, desde então, enfrentaram o desafio da vida e não o da morte. O bebe passa bem!
A advocacia preparada e especializada em áreas como Direito Eleitoral, Tributário, Minerário tem ganhado espaço como nunca no Brasil. Alguns nomes do Direito estão despontando na região, não apenas pelo conhecimento, mas pela conta bancária...
Aos poucos e com raízes muito mais profundas na política local, o deputado federal Dimas Fabiano vai mostrando que tem maior relevância e conexões para ajudar Varginha e interagir com as novas forças políticas da cidade que focam em 2028.
Honra entre lobos...
O ex-secretário de Governo Carlos Honório Ottoni Júnior (Honorinho) que caiu da gestão Ciacci prometendo derrubar meio mundo com tudo que alegava saber sumiu e calou-se, deixando em dúvida se realmente sabe muito ou se saberia algo que comprometa o atual governo! Será? Já o atual Secretário de Governo, Lourival Oliveira, que chegou ao Executivo sob fogo cerrado e muitos desafios, vem diminuindo resistências à gestão e construindo pontes entre a administração e os adversários. O foco dos burburinhos e problemas mudaram de endereço, do Executivo para o Legislativo. Não se faz aqui juízo de valor entre o ex e o atual secretário de Governo. Ambos são experientes, capazes e muito habilidosos para o jogo político local. Talvez por isso, terem a mesma sagacidade, prefiram se respeitar do que brigar diretamente, embora se saiba que não são muito próximos! Enquanto um tentará de todas as formas trazer de volta ao poder o ex-prefeito Vérdi Melo, o outro defenderá com unhas e dentes a atual gestão Ciacci, tentando, quem sabe, uma reeleição em 2028. Logo, a honra e o não ataque direto entre Honorinho e Lourival é algo que pode não durar muito tempo...
Legislativo e Hospital Regional
Os integrantes das Comissões de Justiça, Legislação e Redação Final e de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de Varginha, vereadores Rogério Bueno, Joãozinho Enfermeiro e Zilda Silva, acompanhados pelo advogado da Câmara, Dr. Yuri Pinheiro, realizaram uma visita técnica ao Hospital Regional do Sul de Minas (HRSM) e à área que é objeto do Projeto de Lei encaminhado pelo Poder Executivo para doação ao hospital. A visita também incluiu o terreno que poderá ser doado pelo Município, permitindo aos parlamentares conhecerem de perto a área prevista no projeto e verificarem as condições para a futura instalação da unidade. A diligência faz parte do trabalho das comissões permanentes da Câmara, que têm como atribuição analisar cuidadosamente as proposições em tramitação. A realização de visitas técnicas e a busca por informações complementares contribuem para a elaboração de pareceres fundamentados, assegurando uma apreciação responsável e transparente dos projetos submetidos ao Legislativo. O Projeto de Lei autoriza o Município de Varginha a doar a área ao Hospital Regional do Sul de Minas para a construção do Centro Oftalmológico, que deverá realizar atendimentos exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando a oferta de consultas, exames, cirurgias e procedimentos oftalmológicos especializados, além de fortalecer a assistência regional em saúde.
Câmara aprova Refis com descontos que chegam a 100% nos juros e multas
Os vereadores da Câmara Municipal de Varginha aprovaram, na última segunda-feira (29), o Projeto de Lei encaminhado pelo Poder Executivo que institui o Programa de Regularização Fiscal (Refis) destinado às pessoas jurídicas do município. A proposta tem como objetivo possibilitar que empresas regularizem débitos tributários e não tributários junto ao Município, ao mesmo tempo em que contribui para a recuperação de créditos de difícil recebimento, fortalecendo a capacidade de investimento da administração pública. De acordo com o texto aprovado, poderão ser incluídos no programa débitos com fato gerador ocorridos até 31 de dezembro de 2025, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou não, inclusive aqueles que já tenham sido objeto de parcelamento ou reparcelamento. O Refis aprovado prevê desconto de 100% sobre juros de mora e multas moratórias, permanecendo devidos o valor principal da dívida e a atualização monetária correspondente. Os contribuintes também poderão parcelar os débitos em até 120 meses, observadas as condições estabelecidas na legislação.
A adesão ao programa poderá ser realizada até 31 de agosto de 2026. Para Microempreendedores Individuais (MEI), Empresários Individuais (EI), Microempresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP), associações sem fins lucrativos e cooperativas, poderão ser parceladas dívidas com valor igual ou superior a R$ 100 mil após a aplicação dos descontos previstos na lei. Para as demais pessoas jurídicas, o valor mínimo será de R$500 mil. Na justificativa encaminhada à Câmara, o Executivo destacou que o programa busca recuperar recursos para os cofres públicos, convertendo-os em melhorias para a população, além de oferecer condições para que empresas mantenham suas atividades, preservem empregos e continuem investindo no município. Após a aprovação pela Câmara Municipal, a lei segue para sanção e publicação pelo Poder Executivo.
Comentários