Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 29/05/2026
há 2 horas
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Contraditório...
A Coluna recebeu dezenas de mensagens nas redes sociais e diversos e-mails sobre a nota divulgada neste espaço na semana passada, onde questionamos o “serviço público e as muitas benesses e privilégios deste setor, em comparação da iniciativa privada, representada pela sociedade com seus mais de 100 milhões de contribuintes que sustentam todo o ecossistema do Serviço Público Brasileiro nas esferas federal, estaduais e municipais”. Acredito que o desconforto dos servidores públicos (sobretudo municipais) que procuraram a Coluna é porque não se identificaram com as colocações que fizemos na nota publicada, mas vou procurar explicar o questionamento genérico que fiz. Mesmo porque, o Serviço Público, engloba o Executivo, Legislativo e Judiciário, de diversas áreas, classes e categorias, no âmbito dos governos federal, estaduais e municipais. Acredito que ao final, boa parte dos questionamentos serão sanados. Vejam que, de modo geral, a média dos salários do Serviço Público são maiores que da iniciativa privada, além de possuírem estabilidade no emprego, a certeza de pagamento no final do mês (faça chuva, sol, pandemia ou crises financeiras), bem como a recomposição salarial pelo índice da inflação do ano anterior, o que já são benefícios que raramente ocorrem na grande maioria das carreiras da iniciativa privada.
Contraditório – 02
Vale também destacar que no topo da pirâmide do Serviço Público, temos diretores de estatais, comandantes das Forças Armadas, procuradores da Fazenda e Receita Federal e Estadual, Auditores, Desembargadores e Ministros, juízes e promotores, reitores de universidades federais, bem como diretores altos cargos do Congresso, Assembleias Legislativas e Câmaras entre centenas de outras carreiras que ganham próximo do teto do serviço público que ultrapassa os R$ 40 mil mensais, fora os famosos penduricalhos que engordam salários, superando o teto constitucional, as vezes chegando a casa do milhão! Mas claro que essa não é a realidade da maioria do Serviço Público! Na parte baixa, na base da pirâmide, temos professores municipais, praças e soldados, servidores braçais dos DEERs dos Estados, novos serventuários da Justiça, cantineiras de escolas, uma infinidade de carreiras do Serviço Público, que representam milhões de pessoas que são quem fazem o Serviço Público funcionar. Estas pessoas recebem bem menos e não possuem as mesmas benesses e privilégios do todo da pirâmide. Mas ambos os tipos de servidores públicos (o topo e a base da pirâmide) são pagos pelos mesmos contribuintes (toda sociedade), que de modo geral reprovam a qualidade dos serviços públicos brasileiros, que também de modo geral são caros e deficitários. Mesmo que a base da pirâmide trabalhe muito e ganhe menos, mas quem faz a (má) fama do serviço público é quem ocupa o topo da pirâmide. Ou alguém aqui acha que nossos ministros do Supremo, por exemplo, ganham pouco e trabalham muito? Qual a análise da entrega do Judiciário à Sociedade em contrapartida do peso daquele poder nos impostos que pagamos?
Contraditório – 03
Alguém acha que os serviços das repartições públicas brasileiras são de excelência? Ou acredita que os 60 dias de férias remuneradas dos juízes e promotores é um direito justo, frente aos 30 dias da grande massa trabalhadora da sociedade? E os muitos feriados emendados e pontos facultativos dados aos servidores públicos, que as vezes chegam a dezenas de dias no ano, seria justo com o trabalhador privado? Vale ainda dizer que o vereador, prefeito, deputados e senadores são também funcionários públicos, alguém esta contente com o resultado da entrega destes “trabalhadores públicos”? Claro que há exceções, e que bom que elas existem, mas são poucas! Então, quando a Coluna fala que o Serviço Público ganha muito, trabalha pouco e não retorna ao povo os muitos e pesados impostos que pagamos, estou me referindo ao todo da pirâmide do Serviço Público. Mesmo porque, não se pode comparar, mesmo no âmbito municipal, a estrutura, salário e benefícios que tem o Procurador do Município com o Professor ou cantineira da Rede Municipal de Educação! Enquanto os procuradores municipais em Varginha ganham mais que a média dos advogados da cidade, e possuem índice de êxito processual menor, os professores da rede municipal ganham menos que os professores da rede particular e possuem condições e estrutura de trabalho bem inferior.
Contraditório – 04
Mas uma coisa precisa ser dita, quem está na base da pirâmide do Serviço Público e carrega o setor nas costas, precisa ter a coragem de cobrar o corte de mordomias de quem esta no topo! Ou o professor da rede municipal acha que ele tem o mesmo valor de diária de viagem que a Secretária Municipal de Educação? Ou o soldado da Guarda Municipal acredita que ele tem a mesma escala de trabalho do Chefe da Guarda Municipal? Não tem! O mesmo acontece no Serviço Público no âmbito Estadual e Federal! E enquanto a grande maioria dos cerca de 11 milhões de servidores públicos do Brasil trabalham sério, quem faz a má fama do Serviço Público é quem está no topo da pirâmide, e estes poucos acabam sendo protegidos pelos muitos que ficam na base, isso precisa acabar! E a sociedade já vem dando este grito, já tem dito chega, tem dado o basta no aumento de imposto que nunca acaba, enquanto na outra ponta o que temos são serviços públicos ineficientes, maus exemplos dos grandes comandantes dos governos e seu staff, que ao invés de servirem o povo brasileiro (que é a obrigação de todo servidor público) acabam por servirem-se dele! É esta a ideia da Coluna quando questiona o Serviço Público, quando critica altos salários e baixa entrega, quando critica gastos elevados e os super-salários nos três poderes! Com a remuneração do procurador do Município poderíamos contratar quantos professores ou cantineiras? Porque secretário municipal tem um soldado da Guarda Municipal a sua disposição, enquanto temos escolas inteiras ou movimentados postos de saúde que funcionam períodos sem nenhuma segurança? O “baixo clero do funcionalismo precisa ter a coragem de cortar na carne e denunciar os poucos servidores, cargos de confiança e agentes públicos que orbitam o todo do Serviço Público e não entregam resultados pelo que recebem! Do contrário, a imagem do Serviço Público continuará negativa no imaginário da sociedade, mesmo que muitos milhões de servidores cumpram seu trabalho com retidão, mas silenciam diante de injustiças e desiquilíbrios das gestões públicas”.
Previsões, bajulações e articulações
O governador Matheus Simões (PSD) esteve em Varginha durante o último final de semana, quando a cidade foi “transformada em Capital” e Simões despachou e aqui atendeu muitas lideranças regionais. Conforme antecipou a Coluna, alguns temas sensíveis como as obras de duplicação da MGC 491 e investimentos regionais do Governo foram pautas das cobranças que o governador enfrentou. Mas Simões também teve tempo para articular política, reunir-se com pastores evangélicos, empresários, imprensa etc. Nas agendas, sempre repletas de bajulações, o governador mostrou seu “carisma peculiar e ocasional em ano eleitoral” que não tem ajudado nos índices das pesquisas. Embora Simões tenha apresentado um leve crescimento na última pesquisa, a avaliação dos especialistas é de que o número se refere a distribuição das intenções de voto antes destinadas a Rodrigo Pacheco, que manifestou sua retirada da disputa. Em Varginha Simões anunciou a criação do Colégio Tiradentes, um pedido antigo da cidade e, também, anunciou prioridade para as obras da trincheira na MGC 491 na entrada da cidade.
Previsões, bajulações e articulações - 02
Os anúncios de Simões não significam que as obras vão acontecer, a exemplo de Aécio Neves e Anastasia (que na mesma cadeira de governador hoje ocupada por Simões) aqui estiveram e anunciaram um centro de eventos que nunca saiu do papel. Ademais, o governador atendeu também parte da imprensa (escolhida a dedo), bem como falou com prefeitos da região, sempre tendo o prefeito de Varginha, Leonardo Ciacci a tira colo! Aliás, uma gafe da visita de Simões é que o governador não atendeu a oposição local, nem dos prefeitos que o apoiam, certamente uma jogada política! Vamos ver se a visita deu certo, cumpriu seu proposito de trazer investimentos para a região e captar apoio político para Simões. Veremos isso em breve, pois em outubro teremos a abertura das urnas na região, dai saberemos que os prefeitos que bajularam o recém-empossado governador entregaram os votos que dizem ter. De outro lado, no segundo semestre e em 2027, veremos se as promessas de Simões vão mesmo sair do papel ou se este governador vai entrar no rol dos antecessores que deram o calote político nas promessas realizas em período pré-eleitoral! A conferir
Pinga Fogo
Não chamem para a mesma mesa o procurador do Município o ex-secretário de Administração e o ex-secretário de Governo da Prefeitura de Varginha. O resultado não seria republicano! Mas se for um ringue, dai podem chamar os três, seria épico!
Dizem por ai que o procurador do Município, seria “faixa preta”! Ainda assim, vem “apanhando seguidas vezes dos servidores da Educação, Saúde e críticos do Governo nas muitas reuniões, audiências e redes sociais”. Por isso que ele anda exaltado?
Aparato midiático estatal
Nesta semana um “post/comunicado” chegou aos e-mails e redes sociais de diversas pessoas em Varginha. Na postagem informava que a TV Princesa, canal público de TV gerido pela Prefeitura de Varginha, seria fechado a partir de 31 de maio. A informação, até aquele tempo sem fonte segura correu rápido e gerou protestos em várias áreas dentro e fora do governo, inclusive na imprensa, Legislativo e sociedade civil. A TV Princesa é um canal com muito potencial, se for bem administrada, o que não é o caso! Mas verdade seja dita, a TV Princesa já esta desconectada da boa gestão a bem tempo, não sendo culpa exclusiva desta gestão! A emissora custa cerca de R$ 250 mil mês aos cofres públicos municipais, e embora tenha boa amplitude de sinal, tem baixíssima audiência em Varginha, mesmo que tenhamos amplo conteúdo disponível para apresentar ao telespectador! Com o alvoroço causado pelo comunicado, rapidamente o Governo Municipal soltou nota desmentindo a postagem apócrifa. Afinal, mesmo que não houvesse desgaste cultural, social e midiático na cidade, desfazer de um canal de TV seria uma loucura política para um governo municipal que precisa de apoio popular. O que a TV Princesa precisa não é de dinheiro público, mas sim de gestão e liberdade de programação! Ademais, se o governo municipal aproveitar a onda de mudanças no Executivo para “profissionalizar e modernizar a gestão da emissora”, dando liberdade de atuação para quem estiver afrente da emissora, poderia construir um poderoso meio de comunicação não só com Varginha, mas com toda a região. Mas se o Governo municipal quiser apenas reduzir gasto de manutenção mensal, já que seria suicídio político fechar a emissora, poderia oferecer ao Legislativo parte da programação e dos custos da TV. Não falta na Câmara quem adoraria estrelar vídeos e debater temas de interesse da cidade. Mas e o medo do tiro sair pela culatra? Fica a dica!