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Coluna Minasul em Pauta - 07/05/2024



MERCADO DE CAFÉ


Por Heberson Vilas Boas Sastre



Os últimos 15 dias foram de realizações para o preço do café. Uma pressão vendedora dominou o mercado e tivemos mais uma semana com o vencimento Set24 caindo -2.805 pontos fechando a semana ao preço de 199,30 centavos de dólar por libra-peso. Desde o dia 18 de abril de 2024, quando o vencimento Set24 chegou a negociar na máxima do ano a 243,30 centavos de dólar por libra-peso, o Set24 já realizou -4.370 pontos. Essa queda na bolsa derrubou os preços do mercado interno entre R$250,00 e R$300,00. Neste mesmo período a cotação do dólar voltou de R$5,28 para R$5,08, contribuindo também para um mercado interno com preços mais baixos.

Esse movimento que vimos no mercado no mês de abril comprova que o mercado trabalha em ciclos, em movimentos de altas e baixas, com os fundos e especuladores analisando e buscando padrões, tendências, rompimentos das médias-móveis, ou seja, operam em cima de análises técnicas, fugindo um pouco da realidade do produtor. Estes fundos, com base na última posição do CFTC, Commodity Futures Trading Commission, ainda estão comprados em 48.976 lotes. Não sabemos, mas se a estratégia for continuar vendendo para reduzir esta posição ainda podemos ver o mercado descendo a níveis mais baixos.

No curto prazo o clima quente no Vietnam ditou a puxada do mercado em Londres, levando o café robusta a sair dos +2.500 US$/tonelada até os +4.575 US$/tonelada. Porém, nessa semana, a expectativa da chegada das chuvas no Vietnam fez o mercado recuar aproximadamente -767 US$/tonelada. Segundo relatos de alguns boetins, mesmo com a volta das chuvas no curto prazo, as safras 24/25 e 25/26, no Vietnam, já estão comprometidas. Dificilmente as lavouras irão se recuperar e os efeitos do stress hídrico junto com incidência de pragas já são irreversíveis. Em Londres o vencimento Julho24 encerrou a semana no preço de 3.541 US$/tonelada.

No curto prazo os analistas ainda apostam numa sequência de realizações, acreditando que os Fundos vão reduzir um pouco mais sua posição comprada com a chegada da safra brasileira. Como o clima no Brasil continua seco e firme nas principais regiões produtoras, proporcionando um bom início da colheita e o risco do inverno severo, com a entrada da primeira frente fria apenas no início de junho, então os fundos ainda têm quase 30 dias para pressionar o mercado para baixo.

 Os fundamentos continuam positivos para o médio/longo prazo e é isso que traz volatilidade tão grande aqui para os preços. Um fundamental positivo e um técnico pressionando para baixo, combinação perfeita para grandes oscilações. Além disso, quem já iniciou a colheita tem relatado um baixo rendimento e um % de peneira graúda bem abaixo da média. À medida em que a colheita for avançando teremos números melhores e mais representativos. Ainda é cedo para tirar conclusões.

 Vale lembrar que o Brasil continua sendo o principal fornecedor de café do mundo. Em abril24 o Brasil deverá ter exportado novamente um volume entre 4,3 e 4,6 milhões de sacas. A projeção para o ano safra, que vai de jul23 a jun24, é de 46,55 milhões de sacas, quantidade 30% superior a safra 22/23 quando o Brasil exportou 35,63 milhões de sacas.

Gráfico Café Arábica na ICE_NY – Vencimento Julho24


 

Gráfico do café Robusta na ICE_Londres – Vencimento Julho24

 

Gráfico da Cotação do Dólar Spot


 


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