Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 11/02/2026
gazetadevarginhasi
há 11 horas
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email: Rs.fernandes@fiemg.com.br
Apertando o cerco
A Câmara Municipal de Varginha parece ter aumentado a fiscalização do Executivo municipal. Neste mês de fevereiro dois secretários vão ao Legislativo explicar problemas e reclamações que tem incomodado a população e chegaram ao Legislativo, originando a necessidade da presença dos secretários no Legislativo para prestar explicações. O primeiro a ir ao plenário foi o secretário de Planejamento, Ronaldo Lima Junior, na última segunda 09 de fevereiro, que foi explicar a contratação de empresa privada para realizar o recadastramento imobiliário em andamento no município. Segundo Ronaldo Lima Junior, o recadastramento não impactou no valor venal dos imóveis, todavia, vai aumentar a arrecadação do município, pois busca identificar entre outras coisas a ampliação de “área construída nos imóveis”. O cidadão que foi notificado sobre as novas informações identificadas no mapeamento imobiliário tem prazo para contestar as informações, sob pena de ter seu valor final de IPTU aumentado em vista de “possíveis ampliações identificadas no recadastramento. Ocorre que neste trabalho contratado e peso de ouro o município inverteu a lógica da comprovação. Afinal, tendo em vista que a Prefeitura tem equipe técnica para fazer as fiscalizações e o recadastramento, mas ainda assim, contratou empresa privada para o serviço. O justo seria que depois de realizado os levantamentos iniciais e identificado alguma ampliação nos imóveis, o município fosse a campo fiscalizar cada residência para garantir a veracidade das informações e não saísse distribuindo notificações de aumento no IPTU. Afinal, muitas das “ampliações identificadas pelo serviço contratado via drones, encontrou galinheiros e casas de cachorro, que para a Gestão Ciacci, agora devem pagar IPTU, o que não é justo”. Caberia ao Município identificar as “ditas ampliações e colocar em campo sua equipe de fiscalização para conferir e não fazer o trabalhador perder um dia de trabalho para ir ao guichê da Prefeitura provar que a casinha do cachorro não deve pagar impostos. As explicações de Ronaldo Lima na Câmara podem ter mostrado que o Município cumpre a lei, mas deixaram claro que o atual governo não tem sensibilidade social, nem organização de equipe!
Apertando o cerco 02
O segundo secretário que vai ao Legislativo neste mês é o secretário de Administração, Roberto Cesar de Lima Ribeiro, com data marcada para 19 de fevereiro, logo depois do Carnaval. Roberto Ribeiro vai ao Legislativo tentar explicar o porquê do atraso na entrega de obras importantes como o Mercado do Produtor e o Centro de Eventos do Rio Branco. As obras tinham previsão de entrega no primeiro trimestre de 2025, contudo continuam incompletas e não foram entregues, mas ainda geram gasto ao município. E pior, muitas das obras não têm previsão certa de entrega pois não foram planejadas com exatidão, e descobriu-se depois do dinheiro gasto, que o Mercado do Produtor, não tem a estrutura necessária para abrigar os produtores ruais. Coisas obvias e absurdas deste tipo estão ocorrendo neste governo! Há rumores de que o ex-prefeito Verdi Melo possa ser chamado para participar desta reunião dia 19 de fevereiro, o que seria um espanto se ocorresse, pois Verdi possivelmente diria que entregou a obra com projeto e recursos em caixa para sua conclusão! O secretário de Administração Roberto Ribeiro, a exemplo de Ronaldo Lima, vem colecionando desafetos e poder no Governo Municipal o que tende a deixar sua oitiva mais tensa. Afinal, nem tudo que chega ao conhecimento dos vereadores pode ser dito ou perguntado no plenário, visto que nem tudo já de conhecimento de alguns tem prova, mas sempre haverá consequências para quem revele segredos incômodos da atual gestão! Roberto Ribeiro é um dos poucos nomes do primeiro escalão escolhido por Ciacci e chega ao Executivo municipal vindo de experiencias administrativas de outras cidades por onde passou, e, também fez desafetos. O trabalho das Secretarias de Administração e Planejamento são mais burocráticos e não se caracterizam por serem secretarias de entregas públicas finais como a Secretaria de Obras, mas é certo que sem o correto trabalho das secretarias de Planejamento e Administração, as demais não caminham bem, o que parece ocorrer agora. A expectativa da oitiva de Roberto Ribeiro é ser mais apimentada que a oitiva de Ronaldo Junior, que foi cercada de “meias verdades e falsidades inteiras”. Não será novidade se haver bate boca na oitiva de Roberto Ribeiro. A conferir
Bradesco vai assumir Via Café, com intenção de vender rápido o empreendimento imobiliário
Como disse a coluna em primeira mão, o Banco Bradesco caminha para assumir, mesmo que temporariamente, o principal centro de compras de Varginha: o Via Café Shopping. A negociação foi a saída mais rápida para tentar receber dívida estimada em R$ 600 milhões que o Grupo PCS Shoppings possui com o banco na construção de 4 grandes shoppings em MG, SP e PR. Todavia, no caso do Via Café, o melhor dos empreendimentos imobiliários adquiridos pelo Bradesco na negociação, a expectativa é de venda rápida do empreendimento. Um grupo empresarial da Capital mineira já conversa com o banco com vista a compra do empreendimento o que poderia ocorrer ainda neste ano, a depender da burocracia do negócio. A definição do destino do Via Café será um alívio para os comerciantes que possuem investimento no local, além de ser uma segurança para todos os demais parceiros comerciais que atuam no Via Café. A escolha do Bradesco em assumir logo os empreendimentos, adjudicando o imóvel pela dívida traz algumas praticidades para a viabilidade do negócio, visto que reduz a instabilidade na imagem do empreendimento e permite que o banco negocie direta e rapidamente com os interessados no negócio, sem a necessidade de pagamento, por exemplo, do leiloeiro oficial que seria alguns milhões. Traduzindo em miúdos, banco nunca perde, se assumiu o Via Café ao invés de vende-lo em leilão público, é porque via a chance de ganhar mais nesta negociação, que caminha para desfecho em breve.
Pinga Fogo
O Governo Ciacci joga dinheiro público para blocos e escolas de Carnaval, propondo tal distribuição de recursos no Legislativo a poucos dias do Carnaval. O recado é claro, “aprovem a entrega ou sejam responsáveis pela não realização do Carnaval na cidade”. Será que vai existir fiscalização da aplicação do recurso?
A Secretaria de Controle Interno sabe a relação de parentesco de cargos de confiança da Prefeitura de Varginha com membros do primeiro escalão e mesmo com o prefeito? Pode isso Ministério Público? Será que temos mesmo um controle interno?
Os serviços de capina realizados pela Prefeitura, através de contratação de empresa privada, já estão remunerando os trabalhadores com regularidade? Ou as dezenas de capinadores continuam sendo lesados em seus direitos trabalhistas?
O Hemominas tem até quando para construir sua sede própria no terreno doado pela Prefeitura? Até quando o município vai continuar pagando aluguel para uma entidade estadual que não tem compromisso com seus investimentos prioritários em Minas?
Liderança que realiza e incomoda
O empresário Andre Yuki, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Varginha, bem como liderança de outras entidades como a Abrasel, vem fazendo um grande trabalho na unificação do setor produtivo local e sua constante cobrança dos poderes públicos sobre problemas que envolvem a economia regional. Problemas crônicos como a falta de mão de obra capacitada, alta carga tributária, falta de financiamento e juros altos são problemas que empresários de todo o Brasil já enfrentam. Mas em Varginha outros problemas somam-se a estes para complicar ainda mais a vida do empreendedor. A falta de estrutura pública no centro comercial sem vagas de estacionamento, o grande número de moradores de rua, o tráfico de drogas e a violência entre outros problemas assombram quem passa pelo centro de Varginha. Andre Yuki vem cobrando o Governo Municipal sobre estes problemas, que não são desconhecidos do prefeito, que já foi presidente da Aciv. A questão é que, agora do outro lado do balcão, no Executivo, Ciacci não tem a mesma pressa que tinha para resolver os problemas do comércio. Sabemos que a Prefeitura de Varginha não tem como resolver problemas como a alta dos juros, mas questões como a falta de estrutura no centro e os muitos pedintes e moradores de rua precisam ser abordadas pela Prefeitura de Varginha. Terrenos baldios no centro podem tornar-se estacionamento, vagas exclusivas de “autoridades” no centro podem ser reduzidas para atender cidadãos. O serviço social precisa cuidar das muitas pessoas em situação de rua e destinar tais pessoas para suas casas, visto que a maioria não é de Varginha. Já a Guarda Municipal precisa parar de mobilizar efetivo para fazer segurança particular de secretários e do próprio prefeito para atender o cidadão nas ruas, onde a violência acontece. Andre Yuki já falou, com gentileza e cordialidade, todas as medidas que precisam ser tomadas ao prefeito. Mas como o mesmo não esta mais na condição de presidente da ACIV, não é mais quem cobra, mas sim quem é cobrado. O prefeito prefere a “situação de conforto, no abrigo da bajulação dos cargos de confiança, sem ouvir a população que vive no mundo real”. A liderança de Andre Yuki, levando problemas que precisam ser resolvidos e cobrando o Executivo do que precisa fazer, podem “é incomodar o sossego de quem não quer saber de comércio, quem já perdeu a padaria e agora vive de sonhos”.
Terra sem lei, postes sem segurança
Uma lei municipal cobra que as empresas fiscalizem e retirem dos postes os muitos fios não utilizados, bem como, façam a manutenção dos postes e fiação que por vezes ficam soltas e trazendo riscos aos moradores. Mas a lei não esta sendo cumprida nem fiscalizada pela Prefeitura de Varginha, Cemig e operadores de telefonia e internet. Não é raro vermos pela cidade diversos fios soltos dos postes, muitos pelas ruas e calçadas. Sem falar nas muitas ações de marginais que passam a madrugada furtando fiação pela cidade sem serem incomodados pela polícia ou guarda municipal. O resultado são fios soltos pelas calçadas, serviços públicos como telefonia e internet de péssima qualidade e muito risco pelas ruas. Cadê a fiscalização da Prefeitura de Varginha para multar as empresas que não realizam a manutenção e retiram tais fios soltos e inservíveis? Cadê o patrulhamento da Polícia Militar e Guarda Municipal para prender estes marginais que estão depredando a fiação nos postes? Será que a Guarda Municipal foi criada para ficar na porta dos secretários e do prefeito adornando as portas do serviço público? Vamos trabalhar pessoal!
Pagando em prestações?
O médico, ex-vereador e ex-secretário de Saúde Armando Fortunato deve ser indicado pelo prefeito para presidir a Fundação Hospitalar do Município de Varginha (FHOMUV). A entidade possui gordo caixa e não passa pela fiscalização da Controladoria Municipal, realizando suas próprias licitações, contratações e pagamentos. Armando Fortunato é do PSD, mesmo partido do prefeito, que havia manifestado recentemente a insatisfação com o Governo Ciacci pelas muitas promessas de campanha não cumpridas pelo prefeito, o que também ocorreu com outras legendas.
Saliva e sola de sapato
O ex-prefeito Verdi Melo esteve no Banho da Doroteia, grito de Carnaval antecipado que reuniu milhares de pessoas no centro de eventos Mauro Brito. Diferente do prefeito Ciacci, Verdi estava sem segurança ao encontrar os populares e tem também realizado pequenas viagens pela região. O ex-prefeito deve ser candidato a deputado estadual neste ano, mas corre risco de não contar com todo apoio que esperava quando planejou sua candidatura ainda em 2024. Verdi esteve em Carmo da Cachoeira e já passou também por Monsenhor Paulo e Santana da Vargem, sem falar em sua terra Natal, Eloi Mendes. Mas em Varginha é que Verdi tem dedicado seu tempo de escuta a população e busca por apoio entre os amigos de longa data. Nas muitas falas pela cidade, o ex-prefeito tem escutado muito, sempre o mesmo conselho: “Meu querido, nada melhor que o tempo para provar as pessoas. O Poder não muda o caráter, apenas mostra quem as pessoas sempre foram. Se as eleições de 2024 foram para Verdi um momento de arrependimento, as eleições de 2026 serão para o ex-prefeito um momento de encontro com os verdadeiros amigos. Já as eleições de 2028, prometem ser um momento de acerto de contas entre os Queridos que não se querem mais”.