Comediante Jon Harvey, o “Cara de Lata de Lixo”, disputa vaga no Parlamento britânico contra Nigel Farage
13 de ago.
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Foto: Count Binface no Glee Club, Birmingham / Autor: Jpdfive / Licença: CC-BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons
A eleição suplementar de Clacton-on-Sea, no sudeste da Inglaterra, ganhou um personagem inusitado nesta quinta-feira (13). O comediante britânico Jon Harvey disputa uma cadeira no Parlamento contra Nigel Farage, líder do partido Reform UK, usando o pseudônimo “Count Binface”, traduzido como “Cara de Lata de Lixo”. O personagem se apresenta como um “guerreiro espacial intergaláctico” e chama atenção pelo visual formado por roupa preta e prateada, capa, armadura e uma grande lata de lixo usada como capacete.
A candidatura satírica ganhou espaço na disputa depois que os principais partidos britânicos decidiram não apresentar candidatos em Clacton-on-Sea. Com isso, Binface passou a ser um dos principais adversários de Farage na eleição que definirá o novo representante do distrito no Parlamento. Uma pesquisa da Survation para a Mandate Research aponta Farage com 73% das intenções de voto, enquanto o “Cara de Lata de Lixo” aparece com 20%.
Por trás do personagem está Jonathan Harvey, comediante britânico que utiliza a figura para transformar campanhas eleitorais em sátira política. Suas propostas são deliberadamente absurdas e buscam ironizar políticos, instituições e o próprio funcionamento das eleições. Entre as ideias apresentadas estão congelar os preços de sorvetes e croissants, construir uma única casa popular e até “estatizar” a cantora Adele.
A participação de Harvey em eleições não é recente. Em 2017, ele concorreu contra a então primeira-ministra Theresa May usando o pseudônimo “Lord Buckethead”, ou “Senhor Cabeça de Balde”. Em 2019, disputou uma eleição contra Boris Johnson e, em 2024, enfrentou Rishi Sunak. O personagem Count Binface também já participou da disputa pela prefeitura de Londres e de uma eleição suplementar em Makerfield, na qual enfrentou Andy Burnham, atual primeiro-ministro britânico.
A disputa de Clacton-on-Sea ganhou uma dimensão política maior por causa da trajetória recente de Farage. Ele havia sido eleito para representar o distrito nas eleições gerais de 2024, mas renunciou ao mandato no início de julho, em meio a uma investigação sobre supostas irregularidades envolvendo presentes e recursos recebidos de apoiadores ricos. Farage nega qualquer irregularidade e afirmou, ao deixar o cargo, que queria permitir que os eleitores julgassem suas ações. A renúncia provocou a realização da nova eleição.
A decisão de Farage também teve como consequência a ausência dos principais partidos britânicos na votação. Partido Trabalhista, Partido Conservador, Liberais Democratas e Partido Verde optaram por não apresentar candidatos em Clacton-on-Sea. Adversários de Farage interpretaram a eleição como uma tentativa de afastar a atenção das acusações relacionadas ao financiamento, enquanto o ex-primeiro-ministro Keir Starmer classificou a iniciativa como uma “manobra desesperada”.
Farage é uma das figuras mais conhecidas da direita populista do Reino Unido e ganhou projeção durante a campanha pelo Brexit, que levou o país a deixar a União Europeia. Depois de sete tentativas, ele conseguiu chegar ao Parlamento em 2024, justamente por Clacton-on-Sea, obtendo 46,2% dos votos. O Reform UK também avançou em pesquisas de opinião e em eleições locais recentes, fazendo com que o resultado da disputa seja acompanhado como um teste para a força política do partido e de seu líder.
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