Crise do enxofre eleva custos, paralisa fábricas e reduz produção de fertilizantes fosfatados no Brasil; Mosaic, EuroChem e OCP reagem
há 3 horas
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O mercado brasileiro de fertilizantes entrou em uma fase nova e mais complexa. A pressão no preço e no fornecimento de enxofre — matéria-prima essencial para os fertilizantes fosfatados — já não afeta apenas custos e importações: agora está reduzindo a própria capacidade de produção instalada no país. A Mosaic, maior produtora em operação no território nacional, paralisou linhas de fabricação e procura comprador para a unidade de Araxá (MG). A EuroChem realizou cortes de pessoal na fábrica da Serra do Salitre (MG), antes considerada um investimento estratégico. No exterior, a OCP, gigante marroquina do setor, reduziu a produção em cerca de 30% diante do mesmo cenário de custos elevados e procura mais fraca.
A situação é dupla: por um lado, o produtor rural perdeu poder de compra — preços altos, crédito mais caro e dificuldades financeiras reduziram a procura. Por outro, fabricar ficou mais caro do que vender em muitos casos. A Mosaic já havia sinalizado em junho que o custo de produção de alguns produtos havia ultrapassado o preço de mercado. O resultado é um ciclo em que a menor procura não resolve o problema: a indústria corta produção justamente para não operar no prejuízo. O preço do SSP, um dos principais fertilizantes fosfatados, caiu cerca de 30% entre maio e agosto, mas essa queda não significa normalização, pois a capacidade de acompanhar a demanda quando ela voltar já não estará toda disponível.
Há produto no mercado, vindo de estoques e importações, mas a diferença crucial está na capacidade de resposta: se a demanda recuperar antes que o fornecimento de enxofre se normalize, pode haver descompasso. O Brasil vinha buscando há anos reduzir a dependência externa e ampliar a produção nacional, mas o episódio mostra que ter jazidas e fábricas não basta: é preciso também acesso competitivo a matérias-primas, como o enxofre, e condições econômicas para manter a operação. O insumo que antes passava despercebido tornou-se o fator que redefine a própria viabilidade da indústria.
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