Democratas criticam Trump por receber Flávio Bolsonaro enquanto nega asilo a refugiados; parlamentares cobram explicações sobre vistos e saída do Brasil
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O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, concedeu vistos e acolheu o senador Flávio Bolsonaro e sua família, ao mesmo tempo que restringe acolhimento a refugiados de zonas de conflito. A contradição foi alvo de crítica contundente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, na noite desta terça-feira (28): "Nenhum asilo para quem foge da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas o secretário Marco Rubio estende o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não serve. Negar resultados eleitorais, sim", ironizou o órgão em publicação nas redes sociais, que rapidamente ganhou milhares de compartilhamentos.
O deputado democrata Joaquin Castro, do Texas, foi ainda mais incisivo: "Perder uma eleição não é motivo para asilo", afirmou. Ele cobrou esclarecimentos oficiais sobre o papel dos EUA na saída de Flávio do Brasil, lembrando que o parlamentar responde a investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e havia sido obrigado pelo ministro Alexandre de Moraes a entregar os passaportes. O Departamento de Estado confirmou que os vistos foram emitidos, sem detalhar circunstâncias ou justificar a decisão. Outro parlamentar, Shri Thanedar, do Michigan, classificou a entrada como proteção a um "fugitivo" e desafiou Rubio a ordenar a deportação.
Analistas políticos ouvidos pela CNN apontam que o apoio de Trump à família Bolsonaro vai além de hospitalidade: trata-se de alinhamento narrativo. Ao receber quem questiona a lisura de eleições no Brasil, o presidente dos EUA reforça indiretamente suas próprias afirmações sobre supostas irregularidades em pleitos americanos. A coincidência de pauta não passou despercebida: enquanto os EUA se preparam para eleições de meio de mandato, a saída de Flávio é apresentada como "fuga de perseguição" — versão que ecoa entre eleitores conservadores norte-americanos e pode influenciar a campanha local.
A repercussão internacional expõe divisão clara: para aliados de Trump, a recepção é gesto de solidariedade a um político que considera ter sido vítima de perseguição judicial; para críticos, é pretexto para abrigar alguém sob investigação, enquanto populações em situação muito mais vulnerável seguem sem acolhimento. O caso cruza, assim, política doméstica dos dois países: a narrativa de "fuga de autoritarismo" serve a Bolsonaro no exterior e a Trump em casa, criando um ciclo de reforço mútuo que desafia tanto a diplomacia quanto a coerência em matéria de direitos humanos.
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