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Estudantes protestam em várias cidades da Indonésia contra incêndios florestais e pedem declaração de desastre nacional

há 1 hora
2 min de leitura

Reprodução
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Centenas de estudantes e ativistas tomaram as ruas de Jacarta, capital da Indonésia, nesta quarta-feira (28), em manifestação que se repetiu também em Bandung e Makassar. O alvo principal é a crise de incêndios florestais que atinge o país com força inédita em uma década. Os manifestantes concentraram-se em uma das rotatórias mais conhecidas da capital, muitos usando máscaras de proteção contra a fumaça e erguendo cartazes que denunciam a devastação. O coro de reivindicações é unânime: o governo de Prabowo Subianto deve declarar oficialmente os incêndios como desastre nacional e agir com urgência.

A situação é a mais grave desde 2015. O fenômeno El Niño deixou vastas áreas de floresta e turfa extremamente secas, facilitando a propagação rápida do fogo. A fumaça espalhou-se para além das fronteiras, prejudicando a qualidade do ar em Malásia e Singapura, onde autoridades emitiram alertas de saúde. Internamente, os registros de doenças respiratórias dispararam, especialmente entre crianças e idosos. Para os manifestantes, a resposta oficial tem sido lenta e insuficiente — e a escolha de prioridades equivocada.

Uma das reivindicações mais polêmicas é a suspensão temporária do programa de refeições gratuitas, marca política do governo de Prabowo. Os estudantes argumentam que os recursos deveriam ser redirecionados para combate ao fogo, recuperação de áreas queimadas e atendimento à saúde da população afetada. A pressão acontece em momento delicado para o presidente: pesquisas da Saiful Mujani Research and Consulting confirmam queda contínua de aprovação desde o fim do ano passado. Esta é a segunda semana consecutiva de protestos, sinal de que a insatisfação ganha força.

O governo já adotou medidas: abriu processos judiciais contra empresas suspeitas de terem contribuído para os focos e tentou induzir chuvas artificialmente por meio de modificação climática, sem resultados visíveis até agora. Para os manifestantes, porém, o que falta é vontade política de enfrentar as causas de fundo — desmatamento, autorização de queimadas para agricultura e negligência com áreas protegidas. Enquanto as chamas não cessam, a fumaça sobre a Indonésia torna-se também símbolo de tensão política crescente.

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