Irmãos Alexander são condenados a 30 anos de prisão cada por tráfico sexual nos Estados Unidos
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Os irmãos Alon, Oren e Tal Alexander foram condenados a 30 anos de prisão federal cada um, na terça-feira (27), após serem considerados culpados de tráfico sexual e outros crimes nos Estados Unidos. A sentença foi proferida pela juíza federal Valerie E. Caproni, em um tribunal de Manhattan, Nova York.
Os três foram condenados em março de 2026, após um julgamento de seis semanas que reuniu depoimentos de mulheres que relataram ter sido drogadas, estupradas e vítimas de violência sexual. A investigação apontou que os irmãos teriam usado dinheiro, prestígio social e acesso a ambientes exclusivos para atrair mulheres a festas, viagens e encontros privados, onde ocorreram os abusos.
Alon e Oren, gêmeos de 39 anos, eram conhecidos por suas conexões com o mercado imobiliário de luxo. Tal, de 40 anos, também atuava no setor. Antes das prisões, Oren e Tal eram sócios da imobiliária de alto padrão Official, enquanto Alon trabalhava como executivo na empresa de segurança de sua família.
Acusações envolvem mais de uma década de abusos
Segundo os promotores federais, os irmãos participaram de um esquema que se estendeu por anos, pelo menos de 2008 a 2021. A acusação afirmou que eles usavam convites para viagens, festas e experiências luxuosas para atrair mulheres e, em seguida, em diferentes ocasiões, as drogavam e cometiam agressões sexuais.
De acordo com as provas apresentadas no julgamento, os irmãos e outras pessoas envolvidas procuravam possíveis vítimas por meio de redes sociais, aplicativos de relacionamento, encontros presenciais e promotores de festas. As mulheres eram convidadas para eventos e viagens, muitas vezes com a promessa de hospedagem e experiências exclusivas.
Os investigadores também apontaram que substâncias sedativas eram utilizadas para reduzir a capacidade física e mental das vítimas. Em alguns episódios, segundo a acusação, drogas eram colocadas secretamente nas bebidas das mulheres, provocando dificuldades de movimento e fala, além de falhas de memória.
Os promotores afirmaram que os abusos ocorreram em diferentes locais, incluindo Nova York, Miami, os Hamptons, em Long Island, e Aspen, no Colorado. A acusação também envolveu vítimas menores de idade.
Durante o processo, mais de 70 mulheres relataram ter sofrido agressões ou violência sexual atribuídas a um ou mais dos irmãos. O julgamento criminal, porém, examinou acusações específicas, pelas quais os três foram considerados culpados.
Vítimas relataram traumas durante audiência
A audiência de sentença foi marcada pelos depoimentos de mulheres que descreveram os efeitos dos abusos em suas vidas. Doze mulheres falaram perante a Justiça, relatando sofrimento psicológico, medo e consequências que continuaram mesmo anos depois dos episódios.
Uma das vítimas, identificada pelo pseudônimo Katie Moore, afirmou que os irmãos trataram mulheres e meninas como se suas vidas, seus corpos e sua humanidade não tivessem importância. Ela também declarou que as vítimas não deveriam ser tratadas como descartáveis e que os condenados não poderiam se considerar intocáveis.
Outra mulher descreveu a violência sofrida como uma “eternidade de terror”. Durante a sessão, algumas vítimas choraram enquanto relatavam suas experiências diante dos condenados, em uma sala de tribunal lotada de sobreviventes e pessoas que as apoiavam.
A juíza Valerie Caproni classificou a conduta dos irmãos como monstruosa e rejeitou os argumentos de que eles teriam mudado de comportamento após se tornarem maridos e pais. A magistrada afirmou ter dificuldade em acreditar que essa mudança tivesse ocorrido da maneira apresentada pela defesa.
Penas ficaram abaixo do pedido dos promotores
Os promotores federais haviam solicitado prisão perpétua para os três irmãos, considerando a gravidade dos crimes e a quantidade de vítimas que relataram violência sexual. A defesa, por sua vez, pediu penas de 15 anos de prisão.
A juíza estabeleceu a pena de 30 anos para cada condenado, totalizando 90 anos de prisão somados. Além das sentenças, os três deverão cumprir dez anos de liberdade supervisionada após a prisão, conforme determinado pela Justiça.
A decisão também prevê multas de pelo menos US$ 300 mil para cada um. No caso de Oren Alexander, foi imposta ainda uma penalidade adicional de US$ 50 mil relacionada à produção de material de abuso sexual infantil envolvendo uma adolescente de 17 anos.
A magistrada recomendou que os irmãos não cumpram as penas na mesma unidade prisional, por considerar que a proximidade entre eles poderia exercer influência negativa.
Irmãos continuam negando os crimes
Apesar da condenação, os três irmãos mantêm a alegação de inocência e negaram ter drogado, estuprado ou traficado mulheres. Durante a audiência, eles expressaram arrependimento por atitudes anteriores em relação às mulheres, mas contestaram as acusações criminais.
Os pais dos condenados e familiares também pediram clemência à Justiça. A defesa havia argumentado que as penas deveriam ser reduzidas, enquanto os promotores sustentaram que a gravidade dos crimes justificava a prisão perpétua.
O caso teve grande repercussão nos Estados Unidos devido à posição social e financeira dos irmãos, especialmente à atuação de Oren e Tal no mercado imobiliário de luxo. Para os investigadores, as conexões e os recursos financeiros do trio ajudaram a criar oportunidades para atrair vítimas e esconder a violência sexual.
Com a decisão, os três passam a cumprir penas de três décadas de prisão federal cada um, após terem sido considerados culpados por tráfico sexual, conspiração e outros crimes relacionados à exploração e à violência sexual.
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