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Dois policiais federais participarão de treinamento nos EUA sobre recuperação de ativos

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura
Dois policiais federais participarão de treinamento nos EUA sobre recuperação de ativos
Divulgação/Dois policiais federais irão a Miami, nos Estados Unidos, entre 23 e 29 de agosto para participar de uma capacitação do Departamento de Justiça norte-americano sobre investigações financeiras transnacionais e recuperação de ativos. A especialização envolve técnicas e mecanismos utilizados para localizar, bloquear e recuperar patrimônio relacionado a crimes que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
Polícia Federal envia agentes a Miami para capacitação em rastreamento de dinheiro e recuperação de ativos no exterior.

Dois policiais federais brasileiros viajarão para Miami, nos Estados Unidos, entre os dias 23 e 29 de agosto de 2026 para participar de uma capacitação promovida pelo Departamento de Justiça norte-americano sobre investigações financeiras transnacionais e recuperação de ativos.

A autorização para o afastamento do país foi publicada no Diário Oficial da União. Parte das despesas da viagem será custeada pelo governo dos Estados Unidos.

A capacitação envolve uma área cada vez mais importante nas grandes investigações criminais: a localização de dinheiro e patrimônio que deixam o Brasil e passam a estar sob jurisdição de outros países.

Quando recursos provenientes de atividades ilícitas são transferidos para o exterior, a investigação pode exigir a participação de autoridades de diferentes países, além de decisões judiciais estrangeiras e mecanismos formais de cooperação internacional.

Localizar, bloquear e recuperar
A recuperação de ativos no exterior costuma envolver três etapas principais: identificação, bloqueio e repatriação.

Primeiro, as autoridades precisam descobrir onde estão os recursos ou bens relacionados à atividade criminosa. O patrimônio pode estar em contas bancárias, empresas, imóveis, veículos, embarcações ou aeronaves.

Depois da localização, o Brasil pode solicitar às autoridades do país onde o ativo está localizado que sejam adotadas medidas para impedir sua movimentação ou transferência.

A etapa seguinte é a eventual recuperação do patrimônio para o Brasil, procedimento que também depende da legislação e dos mecanismos de cooperação existentes entre os países envolvidos.

Cooperação internacional é essencial
A atuação brasileira no exterior encontra limites na soberania de outros Estados. Uma autoridade brasileira não pode executar diretamente uma medida judicial ou investigativa em território estrangeiro.

Nesses casos, entram em funcionamento os mecanismos de cooperação jurídica internacional. No Brasil, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, exerce papel central nesse processo.

O departamento atua como autoridade central brasileira em diferentes modalidades de cooperação, recebendo, analisando, encaminhando e acompanhando pedidos destinados a autoridades estrangeiras.

Esse sistema pode ser utilizado em investigações relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organizações criminosas transnacionais.

R$ 686 milhões bloqueados
A dimensão desse tipo de investigação pode ser observada em dados divulgados pelo Ministério da Justiça.

Em fevereiro de 2026, a pasta informou a existência de R$ 686 milhões em ativos bloqueados por meio de mecanismos de cooperação internacional.

O valor demonstra a importância da atuação integrada entre instituições brasileiras e autoridades estrangeiras para localizar e impedir a movimentação de patrimônios relacionados a crimes.

A identificação de um ativo, porém, não significa que ele tenha sido imediatamente recuperado pelo Brasil. O bloqueio e a repatriação são etapas distintas e dependem dos procedimentos legais aplicáveis em cada caso.

Capacitação não está ligada a investigação específica
A autorização publicada no Diário Oficial da União não informa que a viagem dos policiais esteja relacionada a uma investigação específica em andamento.

Também não há indicação de que a capacitação represente uma operação conjunta entre Brasil e Estados Unidos.

O objetivo informado é a participação dos agentes em treinamento voltado a investigações financeiras transnacionais e recuperação de ativos.

A especialização nessa área busca ampliar a capacidade de investigadores brasileiros para identificar patrimônio, compreender os mecanismos de movimentação financeira internacional e utilizar corretamente os canais de cooperação entre diferentes países.

Em investigações que ultrapassam as fronteiras nacionais, o trabalho não termina quando o dinheiro deixa o Brasil. A localização, o bloqueio e a eventual recuperação dos recursos dependem de uma cadeia de procedimentos jurídicos e institucionais que envolve diferentes jurisdições.
Fonte: SociedadeMilitar

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Gazeta de Varginha

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