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Dívidas comprometem renda recorde das famílias e empresas enfrentam perda de fôlego financeiro

há 10 horas
3 min de leitura
Dívidas comprometem renda recorde das famílias e empresas enfrentam perda de fôlego financeiro
FotoDivulgação/Relatório do Banco Central aponta aumento dos ativos problemáticos ligados ao crédito, maior comprometimento da renda das famílias com dívidas em 21 anos e queda na rentabilidade bancária no primeiro semestre.
Banco Central alerta para alta da inadimplência e dificuldades financeiras de famílias e empresas

O Banco Central (BC) alertou para o aumento das dificuldades de famílias e empresas brasileiras em honrar seus compromissos financeiros. Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), a autoridade monetária apontou que o crescimento dos ativos problemáticos relacionados ao crédito amplia os riscos para o sistema financeiro. Entre as famílias, esses ativos alcançaram o nível mais elevado desde 2012.

A categoria inclui empréstimos com parcelas em atraso há mais de 90 dias e operações que apresentam indícios de que não serão integralmente pagas. Segundo o Banco Central, a inadimplência respondeu pela maior parte do crescimento, mesmo com a manutenção, no ano passado, das regras de baixa de créditos considerados irrecuperáveis, procedimento conhecido como write-off.

As estimativas para a maioria das modalidades de crédito indicam que a pressão relacionada à possibilidade de calote deve persistir durante o segundo semestre. Entre as famílias, a parcela da renda comprometida com o pagamento de dívidas chegou ao maior patamar em 21 anos, com impacto mais intenso entre as pessoas de menor renda.

No setor empresarial, o relatório identificou um aumento no número de companhias que registraram redução do lucro líquido e crescimento das despesas financeiras líquidas. O cenário indica uma diminuição da margem financeira disponível para o pagamento de dívidas e outros compromissos.

Mudanças nas regras de inadimplência
O Banco Central também analisou o impacto das mudanças regulatórias sobre os indicadores de inadimplência. De acordo com as estimativas da instituição, caso os critérios de baixa de créditos utilizados até 2024 tivessem sido mantidos, a taxa de inadimplência do Sistema Financeiro Nacional em junho seria 0,78 ponto percentual menor.

A diferença corresponde a aproximadamente 45% da elevação de 1,76 ponto percentual registrada desde dezembro de 2024. Apesar da influência das alterações nas regras, o BC avalia que a inadimplência teria aumentado mesmo sem a mudança regulatória.

A instituição projeta ainda que, com o passar do tempo, o efeito das novas regras terá participação cada vez menor nas variações da taxa de inadimplência.

Consignado privado apresenta dificuldades operacionais
O relatório também destacou o crescimento dos valores liberados por meio do crédito consignado destinado aos trabalhadores da iniciativa privada. Apesar da expansão, a modalidade apresenta níveis de inadimplência superiores aos observados em linhas consideradas de maior risco, como o crédito pessoal sem desconto em folha e sem garantias.

Segundo o Banco Central, uma parcela significativa dos valores em atraso está concentrada em operações cujos tomadores permaneceram empregados ou retornaram ao mercado formal após um eventual desligamento.

Para a autoridade monetária, esse cenário indica que dificuldades operacionais podem estar prejudicando o funcionamento do desconto em folha, mecanismo que deveria contribuir para reduzir o risco de inadimplência nessas operações.

“Considerando que, nessas situações, o desconto em folha deveria permanecer como mecanismo de mitigação de risco, os resultados sugerem possível influência de fricções operacionais sobre o desempenho da carteira”, destacou a instituição.

Rentabilidade dos bancos recua
O Banco Central também registrou queda na rentabilidade do setor bancário durante o primeiro semestre. A redução foi mais acentuada entre as instituições financeiras públicas, principalmente em razão dos riscos associados às carteiras de crédito rural e de crédito pessoal.

Os dados apresentados no relatório apontam para um cenário de maior pressão sobre famílias, empresas e instituições financeiras, marcado pelo crescimento da inadimplência, pelo comprometimento da renda com dívidas e pelas dificuldades de pagamento em determinadas modalidades de crédito.
Fonte: BPMoney

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