El Niño ameaça produção agrícola e pode elevar preços de alimentos como café e outros grãos
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O retorno do fenômeno climático El Niño acendeu um alerta para a produção agrícola brasileira e pode pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses. Especialistas afirmam que culturas como café, arroz, feijão, milho, frutas e hortaliças estão entre as mais suscetíveis aos efeitos das mudanças no regime de chuvas e das temperaturas provocadas pelo fenômeno, o que pode reduzir a oferta e contribuir para uma alta da inflação dos alimentos.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando os padrões climáticos em diversas regiões do planeta. No Brasil, seus efeitos costumam variar conforme a região: enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, áreas do Norte e do Nordeste frequentemente enfrentam redução das precipitações e períodos de seca mais prolongados. Essas alterações afetam diretamente o desenvolvimento das lavouras e a produtividade agrícola.
Entre os produtos que podem sofrer maior impacto está o café. A cultura é sensível tanto ao excesso quanto à falta de chuvas, além das temperaturas elevadas, fatores que podem comprometer a florada, o desenvolvimento dos grãos e a produtividade. Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, eventuais perdas na safra têm potencial para influenciar os preços no mercado interno e internacional.
O arroz também está entre as culturas que exigem atenção. Embora boa parte da produção nacional esteja concentrada no Rio Grande do Sul, onde o excesso de chuvas pode dificultar etapas do cultivo e da colheita, outras regiões produtoras podem enfrentar condições climáticas desfavoráveis que afetem a oferta. Feijão, milho, frutas e hortaliças também podem registrar perdas, dependendo da intensidade e da duração do fenômeno climático.
Segundo especialistas, a redução da produção tende a repercutir nos preços pagos pelos consumidores. Com menor oferta de alimentos, itens básicos podem ficar mais caros, aumentando a pressão sobre a inflação. O Ministério da Fazenda acompanha os possíveis impactos do El Niño e avalia que o fenômeno pode influenciar suas projeções para o comportamento dos preços ao longo de 2026.
Os efeitos, no entanto, não devem ser uniformes em todo o país. Algumas regiões podem ser beneficiadas por um volume maior de chuvas, enquanto outras enfrentarão condições mais adversas. Além disso, o impacto final dependerá da intensidade do El Niño, de sua duração e da capacidade dos produtores de adotar medidas para reduzir os prejuízos nas lavouras.
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