Pesquisa revela presença de 25 agrotóxicos no Rio Tietê e amplia alerta sobre contaminação
há 1 hora
2 min de leitura
Reprodução
Um levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica revelou que o Rio Tietê não possui nenhum trecho completamente livre de contaminação. A pesquisa identificou a presença de 25 tipos de agrotóxicos ao longo do curso do rio, além de microplásticos em todos os pontos analisados e 16 substâncias relacionadas a medicamentos e drogas ilícitas. O estudo faz parte da Expedição Tietê 2025, que percorreu mais de 1.100 quilômetros entre a nascente, em Salesópolis (SP), e a foz, no Rio Paraná, em Itapura (SP).
As coletas foram realizadas em 14 pontos distribuídos ao longo do rio e permitiram aos pesquisadores analisar diferentes indicadores da qualidade da água. Segundo a SOS Mata Atlântica, o Tietê apresenta múltiplas formas simultâneas de contaminação — microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica — que variam conforme a região atravessada pelo rio e refletem fatores como urbanização, deficiência no saneamento básico, uso agrícola do solo e presença de reservatórios.
Entre os resultados, os pesquisadores encontraram microplásticos em todas as amostras analisadas. As maiores concentrações foram registradas em trechos urbanos e em reservatórios, locais onde as partículas tendem a permanecer por mais tempo. A predominância de fibras sintéticas indica que parte da contaminação está relacionada a efluentes domésticos e industriais, à lavagem de roupas sintéticas e ao descarte inadequado de resíduos.
A análise também detectou 25 tipos de agrotóxicos entre os 46 compostos pesquisados. Nos trechos do Médio e Baixo Tietê, a influência da atividade agrícola foi mais evidente, especialmente em áreas de cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros. Um dos destaques do levantamento foi a identificação da atrazina, herbicida proibido na União Europeia desde 2004, encontrada acima dos limites legais em alguns pontos do rio.
Além dos defensivos agrícolas, o estudo identificou 16 substâncias relacionadas a medicamentos e drogas ilícitas. Entre elas estão compostos como carbamazepina, diclofenaco, losartana, cafeína, cocaína e seu metabólito benzoilecgonina. De acordo com os pesquisadores, esses contaminantes refletem a presença de esgoto doméstico e evidenciam limitações dos sistemas de tratamento de efluentes para impedir que esses resíduos cheguem aos cursos d'água.
Os dados microbiológicos também apontaram a presença de bactérias fecais, patógenos e outros organismos associados a doenças gastrointestinais. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, os diferentes tipos de poluentes interagem entre si, podendo potencializar seus impactos ambientais. Os microplásticos, por exemplo, podem transportar agrotóxicos e fármacos, enquanto o excesso de matéria orgânica reduz a oxigenação da água e dificulta a degradação natural de contaminantes.
Diante dos resultados, a entidade defende que a recuperação do Rio Tietê exige uma atuação integrada em toda a bacia hidrográfica. Entre as medidas apontadas estão a ampliação do saneamento básico, o fortalecimento da fiscalização ambiental, o monitoramento contínuo da qualidade da água, a recuperação de áreas degradadas e o aperfeiçoamento das práticas agrícolas para reduzir a entrada de contaminantes no rio.
Comentários