Empresários e frentes parlamentares reagem à proposta de redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1
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Representantes de confederações empresariais e integrantes de frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo iniciaram uma mobilização formal contra a proposta de redução da jornada semanal de trabalho e o fim da chamada escala 6×1 — modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos para descansar um. A articulação ocorreu nesta terça-feira, 3 de março de 2026, em Brasília.
O movimento teve como ponto central um almoço promovido na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que reuniu mais de 50 entidades empresariais. Entre as organizações presentes estavam a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Durante o encontro, foi apresentado um estudo elaborado pelo advogado trabalhista Eduardo Pastore e pelo professor José Pastore, da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o levantamento, a redução da jornada para 40 horas semanais implicaria aumento de 10% no custo unitário do trabalho. Caso a carga horária fosse reduzida para 36 horas semanais, o impacto estimado seria de 22%.
O estudo também aponta que 68% das empresas brasileiras possuem até cinco empregados e enfrentam dificuldades para substituir mão de obra por tecnologia, o que, segundo os autores, ampliaria a vulnerabilidade desses pequenos negócios diante de mudanças na legislação trabalhista.
O presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), classificou a proposta como “completamente eleitoreira” e afirmou que a discussão foi acelerada com o objetivo de conquistar “um quinhão de votos a mais”. Para o parlamentar, alterar o modelo atual significaria “brincar com o Brasil”.
Na noite anterior, segunda-feira (2 de março), outro encontro ocorreu no âmbito da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, reforçando a posição contrária à redução da jornada e ao fim da escala 6×1. Parlamentares presentes defenderam que não pretendem negociar compensações, como eventual desoneração da folha de pagamento, nem alterar posicionamentos por conveniência política caso o tema avance no plenário.
A deputada Bia Kicis (PL-DF), presidente interina da frente, declarou que a redução da jornada de trabalho não pode ser tratada como um embate entre partes opostas. Segundo ela, “empresários e trabalhadores não estão em um ringue de luta. O lado de todos é o do trabalho, contra a carga de impostos e contra a dificuldade de produzir no país”.
A mobilização ocorre em meio a debates no Congresso Nacional sobre possíveis mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), especialmente no que se refere à carga horária semanal e à manutenção ou extinção da escala 6×1. O tema segue em discussão, sem definição legislativa até o momento.