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Enchentes, secas e deslizamentos colocam concessões de infraestrutura sob pressão

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Reprodução
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O avanço dos eventos climáticos extremos passou a figurar como uma das principais ameaças financeiras e operacionais para concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) de infraestrutura no Brasil. Para mitigar estragos, preservar o caixa das operações e evitar a paralisação de serviços essenciais, especialistas defendem que secas, tempestades e deslizamentos entrem na conta logo na fase de desenho dos projetos.

A discussão ganhou tração durante um encontro promovido pelo E-Mundi e pelo Instituto Clima e Sociedade sobre o impacto econômico das mudanças no clima. Casos marcantes como a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, em novembro de 2025, foram citados como alertas de que a modelagem de contratos precisa acompanhar a realidade geográfica e os riscos de cada região. A saída apontada pelo mercado é o investimento na chamada infraestrutura resiliente, conceito que prevê, desde as primeiras plantas, adaptações de engenharia, contenções reforçadas e planos de contingência para manter as operações de pé mesmo sob eventos severos.

Na visão de Bruno Carnelosso, economista e sócio da Radar PPP, a frequência dessas catástrofes já balança a confiança dos investidores e pode esvaziar leilões. Ele aponta que os estudos prévios precisam precificar essas proteções extras de forma transparente, equilibrando o custo da segurança com a atratividade financeira do negócio. Como exemplo do gargalo, Carnelosso citou um trecho rodoviário no Litoral Norte de São Paulo que trava na hora de atrair concessionárias justamente pelo histórico de deslizamentos na pista. A conta desse atraso é alta, já que levantamentos da Confederação Nacional do Transporte indicam que os desastres climáticos consumiram R$ 188,7 bilhões do país apenas entre 2020 e 2023.

Outro setor exposto ao limite é o de saneamento básico, apontado por Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, como um dos mais vulneráveis e, ao mesmo tempo, peça-chave para mitigar crises. Oliveira defende que a resposta passa por gestão de dados e soluções sob medida para cada bacia hidrográfica, descartando fórmulas prontas para todo o país. Se por um lado enchentes e alagamentos podem paralisar estações de tratamento de água e esgoto, por outro, a própria infraestrutura do setor pode virar barreira de proteção. O especialista destaca o uso de reservatórios de contenção para amortecer cheias e a aposta na produção de água de reúso para socorrer o abastecimento da população em períodos de seca extrema ou contaminação de mananciais.
Fonte: CNN

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Gazeta de Varginha

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