Entidade do setor estima que fim da escala 6x1 pode elevar tarifas de ônibus em até 8%
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A possível extinção da escala de trabalho 6x1 e a adoção de um modelo 5x2 podem provocar aumentos nas tarifas do transporte coletivo urbano em algumas cidades brasileiras. A avaliação é da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que projeta reajustes de até 8% nas passagens em determinados municípios.
Segundo levantamento divulgado pela entidade, uma eventual mudança na jornada de trabalho teria impacto significativo sobre os custos do setor. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o transporte terrestre está entre as atividades mais sensíveis à redução da carga horária, com aumento de até 8,77% no custo por hora trabalhada, percentual superior à média nacional de 7,84%.
A NTU afirma que a mão de obra representa cerca de metade dos custos das empresas de transporte. Em simulações realizadas pela entidade, a substituição da escala 6x1 pela 5x2 elevaria as despesas com pessoal entre 13% e 15%, alcançando aproximadamente R$ 1,17 milhão por mês em uma operação considerada como referência.
De acordo com o diretor técnico da associação, Matteus Freitas, esse aumento nos gastos trabalhistas poderia resultar em reajustes entre 6,5% e 7,5% para os usuários, chegando a 8% em algumas localidades.
O setor de transporte público é um dos que mais empregam trabalhadores formais no país. Conforme dados citados pela NTU, existem cerca de 1,78 milhão de vínculos celetistas ativos na área, o que faz com que mudanças na jornada tenham reflexos diretos sobre os custos operacionais e a oferta dos serviços.
Apesar das projeções apresentadas pelas empresas, especialistas ressaltam que eventuais aumentos não ocorreriam automaticamente. A advogada trabalhista Fernanda Miranda destacou que as empresas concessionárias não possuem autonomia para reajustar as tarifas por conta própria, uma vez que o transporte coletivo urbano é um serviço público regulado pelos municípios e demais autoridades competentes.
Além do transporte urbano, outros segmentos considerados essenciais também estudam os efeitos da proposta de redução da jornada de trabalho. Levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), encomendado pela Associação dos Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (Ahosp), aponta que o setor de saúde poderá enfrentar aumento de até 8,4% nos custos trabalhistas, com impacto financeiro anual estimado entre R$ 7,7 bilhões e R$ 19 bilhões.
A proposta que prevê o fim da escala 6x1 ainda segue em tramitação no Congresso Nacional e continua sendo alvo de debates entre representantes dos trabalhadores, empresários e especialistas em economia e relações de trabalho.
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