Erdogan vai concorrer à reeleição na Turquia recorrendo a eleições antecipadas; Constituição só permite dois mandatos presidenciais
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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pretende concorrer novamente ao cargo nas eleições marcadas para abril de 2028, mesmo tendo atingido o limite constitucional de dois mandatos. A estratégia, confirmada por seu assessor jurídico Mehmet Ucum, consiste em antecipar o pleito por decisão do Parlamento — um mecanismo previsto na legislação que, acionado, reinicia a contagem de possíveis candidaturas. A Constituição estabelece que cada presidente pode exercer no máximo dois mandatos de cinco anos; Erdogan foi eleito em 2014 e reeleito em 2018 e 2023.
Para convocar eleições antecipadas, são necessários 360 votos entre os 600 deputados. O partido governista AKP e seu aliado MHP somam 326 cadeiras, ou seja, ainda precisam de apoio de outros parlamentares para atingir a maioria qualificada. Caso a manobra seja aprovada, a votação ocorrerá em 16 de abril de 2028 em vez de maio do mesmo ano. Analistas apontam que, se necessário, o governo também pode propor uma reforma constitucional para abrir caminho à candidatura.
Erdogan está no poder desde 2003, primeiro-ministro durante 11 anos e presidente desde 2014. Um relatório da Comissão Europeia, divulgado em novembro de 2025, registra contínuo retrocesso democrático no país, com perda de independência dos poderes, Judiciário sob influência política e restrição a direitos fundamentais.
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