Estudo aponta possível impacto de medicamentos para emagrecimento na vida profissional e afetiva das mulheres
há 19 horas
2 min de leitura
Reprodução
Um estudo realizado nos Estados Unidos identificou uma possível associação entre o uso de medicamentos para emagrecimento e a inserção de mulheres no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, mulheres que utilizaram medicamentos agonistas do receptor GLP-1 apresentaram uma probabilidade 27 pontos percentuais maior de ingressar no mercado de trabalho em comparação com mulheres com características semelhantes que tinham interesse em utilizar os medicamentos, mas ainda não haviam iniciado o tratamento.
O estudo acadêmico foi divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER) em junho de 2026 e ainda não passou por revisão por pares. A pesquisa utilizou dados do Understanding America Study, painel representativo da população dos Estados Unidos mantido pela Universidade do Sul da Califórnia.
Para analisar os possíveis efeitos associados ao tratamento, os pesquisadores compararam mulheres entre 25 e 61 anos com características semelhantes em aspectos como renda, situação socioeconômica e histórico de saúde.
Entre as participantes que estavam desempregadas ou fora da força de trabalho no início do acompanhamento, aquelas que começaram a utilizar os medicamentos apresentaram, após aproximadamente um ano e meio, uma probabilidade 27 pontos percentuais maior de estarem inseridas profissionalmente em relação às mulheres que não iniciaram o tratamento.
Os resultados levantaram uma discussão sobre a possível influência da aparência e do peso corporal nas oportunidades oferecidas às mulheres no mercado de trabalho. A pesquisa, no entanto, não estabelece que a perda de peso causada pelos medicamentos tenha sido diretamente responsável pela obtenção de empregos.
O estudo também identificou possíveis mudanças na vida afetiva das participantes. Entre as mulheres que estavam solteiras no início do acompanhamento, aquelas que iniciaram o tratamento apresentaram, após cerca de um ano e meio, uma probabilidade 29 pontos percentuais maior de se casarem ou passarem a morar com um parceiro.
Os pesquisadores também chamaram atenção para uma possível relação entre o acesso aos medicamentos e as desigualdades sociais. Como os tratamentos podem apresentar custos elevados, pessoas com maior renda tendem a ter mais facilidade para utilizá-los. Dessa forma, eventuais efeitos sociais ou profissionais associados à perda de peso poderiam ser distribuídos de maneira desigual entre diferentes grupos da população.
Os autores ressaltam que os resultados identificaram uma associação entre o uso dos medicamentos e os indicadores analisados. Portanto, os dados não significam que o uso de medicamentos para emagrecimento garanta emprego, casamento ou qualquer outra mudança na vida pessoal ou profissional das mulheres.
Comentários