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Estudos ampliam compreensão sobre a atuação da dopamina no cérebro adolescente

  • 21 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura
Reprodução
Apelidada de hormônio da felicidade ou molécula do desejo, a dopamina nos ajuda a compreender o que está por trás de perguntas como: Por que nos viciamos? Como desenvolvemos comportamentos compulsivos? Como aprendemos coisas novas?
A substância é, na verdade, um dos neurotransmissores responsáveis por transportar as informações entre as células do nosso cérebro. Apesar de pouco citado, a dopamina também tem papel importante no controle dos movimentos, na memória, na atenção e controle das emoções.
Bruno Rezende de Souza, pesquisador associado do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e líder do Laboratório de Neurodesenvolvimento e Evolução (NeuroDEv), explica que a função desempenhada pela dopamina depende da área do cérebro para qual ela é enviada.
Resultados de um estudo, publicado na revista Behavioural Brain Research com pesquisadores do NeuroDEv e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) demonstram que essas funções também podem mudar durante a fase da vida e sexo biológico dos indivíduos.
Para isso, os pesquisadores testaram os efeitos do estímulo por dopamina, pela primeira vez, no comportamento de camundongos fêmeas e machos durante a adolescência.

Hipótese dopaminérgica
A relação entre a dopamina e diagnósticos psiquiátricos já é conhecida pelos neurocientistas há longa data. Pesquisas desenvolvidas nas décadas de 1960 e 1970 já haviam observado que a alteração do sistema dopaminérgico motivada por fatores genéticos ou por fatores ambientais estão presentes em vários transtornos mentais como esquizofrenia, TDAH, autismo, depressão e transtornos de ansiedade – a chamada hipótese dopaminérgica.
Souza explica que, atualmente, a ciência já reconhece que o fator não é o único envolvido nas alterações no desenvolvimento do cérebro apresentadas nesses diagnósticos, mas aumentam a probabilidade. O estudo desenvolvido pela UFMG investiga como a hipótese dopaminérgica atua no comportamento dos camundongos – que assim como os humanos, têm as mesmas regiões do cérebro afetadas.
Souza conta que, até então, a imensa maioria das pesquisas foram feitas com animais adultos e machos. O estudo revela que a regulação desses comportamentos pela dopamina nos adolescentes é diferente em relação aos adultos e que a resposta comportamental também difere entre fêmeas e machos. A pesquisa em questão servirá de parâmetro para outros estudos com foco na adolescência.
“A nossa pesquisa ajuda a entender um pouco da participação da dopamina no desenvolvimento do cérebro e no comportamento durante a adolescência e isso pode ajudar tanto na prevenção quanto no tratamento de transtornos mentais nessa fase da vida”, explica Souza.
Fonte: AgênciaMinas

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