EUA avaliam flexibilizar sanções a navios da frota paralela no Estreito de Ormuz; objetivo é reduzir custos recordes de frete marítimo
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O governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de afrouxar as sanções aplicadas a embarcações da chamada "frota paralela", utilizadas para escoar petróleo e derivados de países como Rússia, Irã e Venezuela. A avaliação foi confirmada por uma autoridade americana ouvida pela Reuters e tem como objetivo principal reduzir os valores recordes do frete marítimo, que encarecem o comércio global de combustíveis e prejudicam a própria comercialização de petróleo de origem americana. As discussões ganharam força poucos dias depois de o presidente Donald Trump ter suspendido temporariamente as sanções sobre o diesel russo — decisão que provocou fortes críticas de aliados, entre eles o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, governos europeus e até senadores do próprio partido republicano nos EUA.
A proposta em análise prevê autorizar o uso desses navios anteriormente punidos para o transporte de petróleo bruto e produtos refinados que não estejam sujeitos a medidas restritivas de Washington. Ou seja, a flexibilização não abrangeria o petróleo russo nem o iraniano, que continuariam sob bloqueio, mas permitiria que mais combustível de origem legal deixasse a região do Golfo, aumentando a oferta e, em tese, fazendo cair os custos de transporte. O secretário de Energia, Chris Wright, confirmou publicamente que o governo debatia o tema durante o Congresso Mundial do Petróleo, realizado em Riade, na Arábia Saudita, embora o conteúdo integral de sua apresentação não tenha sido divulgado.
A medida exigiria que empresas interessadas apresentassem pedido de autorização ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos antes de utilizar as embarcações. O Departamento de Energia reforçou que a iniciativa não tem por objetivo beneficiar a Rússia no transporte de seus produtos, mas analistas e observadores alertam que a pressão para ampliar rapidamente a oferta de combustíveis no mercado internacional pode levar a que, na prática, os navios liberados também acabem sendo usados de formas que gerem receita para Moscou. A Casa Branca ainda não respondeu aos pedidos de comentário sobre os detalhes da proposta.
A dimensão política da decisão é central: os preços altos dos combustíveis representam risco eleitoral para Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A medida sobre o diesel russo, anunciada na semana anterior com validade até 7 de abril de 2027, foi justificada como forma de conter a inflação de energia, mas foi classificada por Zelensky como um "presente" para o presidente russo, Vladimir Putin, ao injetar recursos em seu orçamento de guerra. Agora, a nova flexibilização coloca novamente em confronto a prioridade eleitoral interna de baixar preços e a pressão de aliados para manter firmeza nas sanções econômicas.
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