EUA vão reconstruir porto principal de Palau; moradores temem virar alvo em conflito entre superpotências
há 47 minutos
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Os Estados Unidos planejam reconstruir e ampliar o principal porto de Palau, um pequeno arquipélago no Pacífico com apenas 17 mil habitantes. A estrutura original foi construída pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial e será modernizada para receber navios americanos de maior porte. Além do cais, o projeto prevê a instalação de um depósito de suprimentos para fuzileiros navais, um radar militar e a ampliação de um aeródromo para receber aeronaves de grande porte. A obra faz parte do fortalecimento da presença militar dos EUA na região, situada a cerca de 800 quilômetros a oeste do Mar da China Meridional.
A população local demonstra profunda preocupação com as consequências. Uma petição com 2 mil assinaturas foi entregue ao Congresso de Palau pedindo garantias de proteção caso o território seja envolvido em um conflito entre potências. "Para onde iriam?", questiona uma moradora que cresceu ouvindo histórias de familiares sobre as batalhas sangrentas travadas ali durante a Segunda Guerra Mundial. Palau mantém com os EUA um acordo de livre associação: recebe financiamento e cidadãos podem trabalhar e estudar nos Estados Unidos sem visto; em troca, concede acesso militar ao território. Analistas locais alertam que o país passou a integrar uma linha de defesa considerada estratégica tanto por Washington quanto por Pequim — o que o transforma em alvo em potencial.
O impacto ambiental também gera grande alerta. A dragagem necessária para aprofundar a área do porto, na baía de Malakal, deverá destruir 4,26 hectares de recifes de corais, colocando em risco as lagoas turquesas classificadas como Patrimônio Mundial da Unesco. Espécies ameaçadas, como o dugongo — animal semelhante ao peixe-boi — e tartarugas marinhas, podem perder seu habitat. O presidente de Palau, Surangel Whipps, defende a obra como modernização necessária, pois o antigo porto estava "à beira do colapso". Militares americanos afirmam que a infraestrutura atenderá também ao transporte comercial e à defesa da região.
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