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“Ficamos em choque”, diz turista vítima de racismo em caso envolvendo advogada no Centro de BH

  • 30 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

fonte: itatiaia
fonte: itatiaia
Uma turista de São Paulo relatou momentos de choque e indignação após ser vítima de racismo em um prédio localizado na Avenida Amazonas, no bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso, ocorrido no último domingo (28), é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais e envolve a advogada Natália Burza Gomes Dupin, que aparece em vídeo proferindo ofensa de cunho racista contra o casal.
A vítima é a psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Eneida Aparecida, de 43 anos. Ela estava acompanhada do companheiro, o professor e pesquisador Fábio Bouças, de 51 anos. O casal veio a Belo Horizonte para passar o fim de ano com o filho de 23 anos, estudante de Direito e morador da capital mineira, além de viajar com outros dois filhos, de 7 e 18 anos.
Imagens obtidas pela reportagem mostram o momento em que a mulher investigada diz a frase “tenho nojo de preto”. Segundo a Polícia Civil, a advogada já teria se envolvido em episódio semelhante em 2019, quando foi acusada de ofender um taxista.
Em entrevista, Eneida contou que o casal estava sentado na área comum do prédio devido ao calor quando percebeu uma mudança no comportamento da moradora. “Ela desceu para atender um entregador de forma hostil. Aquilo já me deixou desconfortável”, relatou.
Ainda de acordo com a vítima, após retornar ao apartamento, a mulher desceu novamente, fechou a porta de vidro do local, encarou o casal e cuspiu no chão. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança do condomínio. Minutos depois, quando Eneida e o companheiro se dirigiam ao elevador, a suspeita voltou ao local e gritou a ofensa racista.
“A porta do elevador já estava se fechando e ficamos sem reação, tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Quando chegamos ao apartamento, nosso filho disse: ‘Isso foi racismo’. Ficamos em choque por vários minutos”, contou a psicóloga.
O casal afirmou que procurou o síndico do prédio e foi informado de que a moradora já possui histórico de comportamentos semelhantes. No dia seguinte, após terem acesso às imagens e ao áudio, decidiram registrar a ocorrência.
“Sempre fomos muito bem acolhidos aqui. Nosso filho estuda, trabalha e tem amigos em Belo Horizonte. Jamais imaginamos viver algo assim, principalmente em Minas”, afirmou Eneida, ressaltando que o racismo pode ocorrer em qualquer lugar.
A psicóloga também destacou que já vivenciou outras situações de preconceito ao longo da vida, mas classificou o episódio como o mais grave. “Estamos acostumados a enfrentar o racismo, que muitas vezes é sutil. Mas dessa forma escancarada, foi a primeira vez. Ficamos em estado de choque, e nossos filhos também ficaram assustados”, disse.
O professor Fábio Bouças informou que medidas judiciais já estão sendo tomadas. “Estamos com um advogado acompanhando o caso a partir de São Paulo. Queremos que isso seja tratado de forma exemplar. A sensação é de humilhação e revolta. Alguém te ofende e te agride verbalmente sem te conhecer. É muito doloroso”, afirmou.

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Gazeta de Varginha

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