Fim da taxa federal sobre importações de até US$ 50 faz remessas ao Brasil mais que dobrarem em junho
há 20 horas
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A suspensão da cobrança da taxa federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 provocou um forte crescimento nas importações realizadas por plataformas digitais. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que, em junho, o Brasil recebeu 28,4 milhões de remessas internacionais, um aumento de 118% em comparação com o mesmo período de 2025.
O valor total das mercadorias importadas também registrou avanço expressivo. Segundo a entidade, os brasileiros desembolsaram US$ 574 milhões em compras internacionais durante o mês, alta de 107% na comparação anual.
A taxa federal de 20%, conhecida popularmente como "taxa das blusinhas", foi suspensa pelo governo federal em meados de maio para compras de até US$ 50. Apesar da mudança, permanece em vigor a cobrança de 17% de ICMS, imposto estadual aplicado sobre essas importações.
Levantamento da Abit, com base em registros da Receita Federal por meio do Programa Remessa Conforme, aponta que, considerando a média dos dois meses em que a cobrança federal deixou de existir, o volume de remessas internacionais cresceu 85%.
Embora tenha ficado conhecida pelo apelido relacionado ao setor de vestuário, a tributação alcança uma ampla variedade de produtos importados. Entre eles estão roupas, calçados, cosméticos, itens para casa, cama, mesa e banho, artigos de decoração, eletrônicos e diversos outros produtos comercializados por plataformas de comércio eletrônico.
Representantes da indústria têxtil avaliam que o aumento das importações amplia a concorrência com fabricantes nacionais. O setor argumenta que a expansão das compras internacionais pode reduzir a demanda por produtos fabricados no Brasil, com possíveis reflexos sobre a produção, a geração de empregos, a arrecadação de impostos e os investimentos na indústria.
Já consumidores tendem a ser beneficiados pelo acesso a uma maior oferta de produtos e, em muitos casos, a preços mais baixos. O desempenho das importações nos próximos meses dependerá da evolução da política tributária, das condições do mercado e do comportamento do consumo no país.