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Fisioterapeuta diz ter sido vítima de racismo durante abordagem da Polícia Militar em MG

  • 19 de jan. de 2024
  • 3 min de leitura

PM teria recebido denúncia de que um foragido estaria no supermercado que o fisioterapeuta também estava em Alfenas (MG).


Um fisioterapeuta disse ter sido vítima de racismo durante uma abordagem da Polícia Militar em um supermercado de Alfenas (MG). De acordo com ele, a ação militar aconteceu na frente da filha dele de nove anos. Segundo a vítima, a abordagem aconteceu após a denúncia de que um foragido estaria no estabelecimento.

Conforme o fisioterapeuta disse à EPTV, afiliada TV Globo, ele foi ao supermercado com a esposa e a filha, para fazer compras para fazer cachorro quente para a família. Ao sair do local, ele se deparou com uma equipe policial aguardando por ele.

“Dois policiais vieram em minha direção com tasers apontados para o meu peito e gritando: ‘sai da porta do supermercado, sai da porta do supermercado e larga as compras’. Eu fiquei estático naquele momento e, com muito medo de acontecer alguma coisa com minha esposa e minha filha que estavam perto, soltei as compras e levantei os braços. Eu disse que era fisioterapeuta, professor, que era uma pessoa honesta. Um dos policiais então falou: ‘tivemos uma denúncia no 190 de que um indivíduo negro, de boné e de roupa vinho’. Era a minha descrição, eu estava exatamente daquele jeito. Quando fizeram a verificação, um dos policiais disse: ‘você é a cara do bandido’. O mais triste para mim foi falar isso na frente da minha esposa e da minha filha”, falou o fisioterapeuta Marcelo Silva de Carvalho.

Parte da abordagem foi gravada pela esposa dele. De acordo com o casal, o tom mudou quando a ação passou a ser filmada. Ele diz que não foi a primeira vez que foi encarado como criminoso.

“Uma vez estava dirigindo o meu carro, a polícia me parou achando que eu tinha roubado o meu próprio carro. Teve outra vez que eu estava caminhando e até resolvi comprar outro tipo de roupa, porque eu achava que estava sendo visado por causa da roupa. Mas, é indiferente”, falou.

Fisioterapeuta diz ter sido vítima de racismo durante abordagem da Polícia Militar em MG — Foto: Reprodução/EPTV

O caso ganhou repercussão na cidade e o Instituto de Cidadania e Direitos Humanos emitiu uma nota em que repudia essa e outras abordagens sofridas pelo fisioterapeuta.

“Essa abordagem policial, em nosso entendimento, foi totalmente desastrosa, destoa de todo protocolo de abordagem das polícias. A gente entende que essa abordagem específica, em decorrência de descriminação racial, pelo estereótipo da pessoa”, disse o presidente do ICDH, Vander Cherry.

“Vamos preparar também algumas ações contra a Polícia Militar por causa dessa abordagem, vamos fazer denúncia no Ministério Público. O promotor de Justiça tem também o poder de fiscalização, fiscalizar as policiais, quando ocorre esse tipo de violação de direitos”, completou ele.

O que diz a Polícia Militar

A Polícia Militar de Alfenas disse, em nota, que, a averiguação feita pelo militares, para saber se ele portava alguma arma sob a blusa, assim como da solicitação para mostrar seus documentos pessoais condizem com o conjunto de ações policiais para conferir a veracidade de denúncias.

Ainda segundo a nota, foram usados métodos que se encontram nos manuais técnico-profissionais, quais regulam a intervenção policial, processo de comunicação e uso da força, bem como a abordagem a pessoas em procedimento operacional padrão - nos casos de fundada suspeita em abordagens, busca pessoal, veicular e domiciliar - tudo no âmbito da PM.

A polícia esclarece que trabalha com respeito aos direitos humanos, lisura e empenho pela preservação da ordem pública e segurança da sociedade mineira.

A instituição reiterou o compromisso com a verdade e reafirmou que não coaduna com condutas que configurem assédio sexual, moral ou de preconceito. A PM esclareceu, ainda, que qualquer conduta que sugira irregularidade de policial militar pode ser denunciada aos órgãos competentes.

FONTE:G1

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Gazeta de Varginha

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