França decreta toque de recolher em áreas de Paris após violência; mais de 2 mil foram presos e duas pessoas morreram
há 2 horas
2 min de leitura
Reprodução
As autoridades da França anunciaram toque de recolher em trechos de Paris após graves distúrbios ocorridos durante o fim de semana. A medida, inicialmente prevista para começar às 22h, foi ajustada e passará a vigorar das 23h às 6h, no horário local — ou seja, das 18h à 1h de Brasília — abrangendo a Place de la République e as vias vizinhas ao bairro de Les Halles. A decisão foi confirmada por fontes à emissora BFMTV, afiliada da CNN, nesta segunda-feira (19). As restrições se somam a outras adotadas em cidades do norte e do sul do país, num esforço para conter a escalada de violência que se seguiu a semanas de mobilizações iniciadas por estudantes.
O balanço oficial dos confrontos registra mais de 2 mil pessoas detidas, ao menos duas mortes e relatos de feridos graves — entre eles dois indivíduos que perderam as mãos. Um dos óbitos foi confirmado pela polícia de Paris: um manifestante faleceu ao norte da capital em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. No amanhecer desta segunda-feira, a paisagem das áreas atingidas revelava estragos: veículos e motocicletas queimados próximos a estabelecimentos com vitrines quebradas e portas arrancadas. A Federação do Comércio e Varejo da França calculou que quase 3 mil lojas e negócios foram direta ou indiretamente afetados durante os distúrbios.
Além de Paris, outras cidades adotaram medidas semelhantes. Na cidade de Lille, no norte, o toque de recolher começou às 15h de Brasília desta segunda e vai até a 1h de terça-feira (20), estendendo-se também aos municípios de Douai, Wattignies e Denain. Já em Nice, no sul do país, a prefeitura determinou restrição de circulação para menores de idade a partir das 21h, horário local. O anúncio foi feito pelo prefeito Éric Ciotti na rede social X. As medidas refletem a amplitude do movimento, que se espalhou por diferentes regiões e mobilizou forças de segurança em escala nacional.
A situação ganha peso por ocorrer a aproximadamente seis meses da eleição presidencial francesa. Analistas e autoridades apontam como causas profundas o descontentamento com uma economia fragilizada e o crescimento da dívida pública, fatores que têm alimentado tensões sociais há meses. O movimento, que começou entre jovens estudantes, ampliou-se para incorporar insatisfações mais amplas, transformando-se em onda de protestos que, em alguns momentos, deu espaço a saques e confrontos com a polícia. O governo enfrenta agora o desafio de restaurar a ordem sem aprofundar a divisão social, enquanto o país acompanha os desdobramentos políticos dos últimos acontecimentos.
Comentários