Marcel van Hattem pede proteção para Roberta Luchsinger e suas filhas após entrevista
há 1 hora
3 min de leitura
Foto: Instagram/ @roberta.luchsinger
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) solicitou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a inclusão da empresária Roberta Luchsinger e de suas duas filhas em um programa de proteção a testemunhas. O pedido foi apresentado no sábado (17), após a entrevista exclusiva concedida por Roberta à CNN Brasil, na qual ela fez declarações envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Van Hattem afirmou, em publicação nas redes sociais, que acompanhou a entrevista ao lado de Luciano Zucco (PL), governador do Rio Grande do Sul, e do deputado federal Sanderson (PL-RS). Segundo o parlamentar, os três solicitaram que a empresária e as filhas fossem incluídas imediatamente no programa de proteção.
O deputado declarou que as acusações apresentadas por Roberta contra Lula são graves e que, na avaliação dele, a empresária e a família enfrentam um risco significativo à própria segurança.
A iniciativa recebeu apoio de outros integrantes da oposição. Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados, afirmou ter protocolado solicitações em diferentes instituições para pedir proteção à empresária.
Segundo ele, foram encaminhados ofícios à Polícia Federal (PF), ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O parlamentar também informou ter apresentado um requerimento de informações ao ministro da Justiça, solicitado a convocação do ministro para a Comissão de Segurança Pública e pedido audiências públicas nas comissões de Direitos Humanos e da Mulher.
Gilberto Silva declarou ainda que acionou a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos e o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que a oposição poderá levar o assunto à Comissão Interamericana caso considere insuficientes as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras.
Outro parlamentar que solicitou providências foi Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), representante da bancada do PL na Câmara. Ele encaminhou um ofício à PGR pedindo proteção policial urgente para Roberta, inclusão no programa de proteção e investigação de possíveis ameaças.
O documento argumenta que é necessário preservar a integridade física e psicológica da empresária e de seus familiares diante das declarações feitas durante a entrevista.
Declarações sobre Lula e Lulinha
Na entrevista, Roberta Luchsinger afirmou que Lulinha teria se reunido diversas vezes com ministros do governo de seu pai. A empresária contestou declarações de Lula sobre os contatos do filho com integrantes do alto escalão do governo federal e afirmou que pretende fazer uma delação premiada.
Roberta também disse que não pretende poupar o presidente nem o filho caso firme um acordo de colaboração com as autoridades. Durante a conversa, ela rebateu críticas feitas anteriormente por Lula, que a chamou de “pilantra” e a comparou a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A empresária afirmou que se sentiu injustiçada pelas declarações do presidente e disse que decidiu falar publicamente após um período em que vinha tratando do caso principalmente pela via jurídica.
Lula, por sua vez, negou envolvimento com Roberta e afirmou desconhecer os fatos relatados por ela. Em nota, sua equipe de comunicação declarou que o presidente nunca manteve interlocução com a empresária, não recebeu demandas dela e não tinha conhecimento das supostas tratativas mencionadas.
O presidente também questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. Segundo a nota, denúncias sem comprovação já foram utilizadas em outros processos eleitorais para influenciar a opinião pública.
Investigação sobre suspeitas de fraudes no INSS
Roberta Luchsinger e Lulinha são alvos de investigação da Polícia Federal relacionada a um suposto esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração envolve suspeitas de tráfico de influência e possíveis relações entre investigados e integrantes do governo federal.
A empresária foi alvo de mandados de busca e apreensão, teve bens e valores bloqueados e passou a utilizar tornozeleira eletrônica por determinação judicial no âmbito da Operação Sem Desconto.
As declarações feitas por Roberta na entrevista integram o contexto das investigações, mas não representam, por si só, comprovação das acusações. A eventual colaboração premiada dependerá de tratativas formais com as autoridades e do cumprimento dos requisitos legais.
Lulinha também negou ter cometido irregularidades. Em manifestação, afirmou que seus contatos com políticos, inclusive pessoas que posteriormente assumiram cargos ministeriais, decorreram de relações pessoais e não envolveram trocas ilegais. Ele declarou estar à disposição da Justiça e disse que pretende comprovar sua inocência no processo.
Até a divulgação das informações, os pedidos de proteção apresentados pelos parlamentares ainda dependiam de avaliação das autoridades competentes.
Comentários