Gasolina com 32% de etanol começa a ser vendida; especialistas orientam como reduzir riscos ao veículo
31 de jul.
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A gasolina comercializada no Brasil passa a ter, a partir deste sábado (1º), 32% de etanol anidro em sua composição. O percentual anterior era de 30%, e a mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) com validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período. Segundo o governo, a medida busca enfrentar a alta dos combustíveis fósseis em meio às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a alteração não deve provocar impactos relevantes nos veículos flex, que já foram desenvolvidos para operar com elevadas concentrações de etanol. No entanto, automóveis mais antigos ou movidos exclusivamente a gasolina podem apresentar aumento no consumo de combustível e maior desgaste de componentes, especialmente aqueles que não foram projetados para essa nova proporção.
De acordo com engenheiros consultados pela reportagem, o etanol anidro tem capacidade de absorver água do ambiente, o que pode favorecer processos de corrosão em peças metálicas e comprometer componentes como mangueiras, vedações e filtros de combustível. Além disso, como o etanol possui menor poder calorífico do que a gasolina, há possibilidade de aumento no consumo em alguns modelos, embora a diferença possa ser pouco perceptível no uso diário.
Para reduzir possíveis problemas, a recomendação é manter a manutenção preventiva em dia e utilizar filtros de combustível compatíveis com concentrações mais elevadas de etanol, principalmente em veículos não flex. Caso o automóvel passe a apresentar dificuldade de partida, marcha lenta irregular, aumento significativo do consumo ou outras falhas após algum tempo de uso da nova mistura, a orientação é procurar uma oficina especializada para verificar o sistema de alimentação.
Enquanto representantes da indústria automobilística defendem a realização de mais estudos sobre os efeitos da mudança em veículos mais antigos, o CNPE afirma que testes de desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e emissões não identificaram impactos relevantes, inclusive em modelos equipados com motores não flex. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) sustenta que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a necessidade de importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no país.
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