Gasolina terá mais etanol a partir de agosto; especialistas alertam para possíveis impactos em veículos antigos
17 de jul.
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Divulgação/A partir de 1º de agosto, a gasolina vendida no Brasil passará a conter 32% de etanol anidro. A medida busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis, mas especialistas alertam para possíveis desgastes em veículos que não foram projetados para a nova composição.
A partir do dia 1º de agosto, a gasolina comercializada no Brasil passará a conter 32% de etanol anidro, em vez dos atuais 30%. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e integra a estratégia do governo para reduzir a dependência da importação de combustíveis e ampliar o uso de fontes renováveis.
A decisão também ocorre em meio às incertezas no mercado internacional de petróleo. Segundo o governo, o recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã e os riscos à navegação no Estreito de Hormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo — podem pressionar os preços internacionais do barril e, consequentemente, da gasolina.
Com uma maior participação do etanol na mistura, o objetivo é diminuir a exposição do país às oscilações do mercado externo e fortalecer a produção nacional de biocombustíveis.
Especialistas apontam riscos para veículos mais antigos
Apesar dos benefícios econômicos e ambientais defendidos pelo governo, especialistas alertam que o aumento da concentração de etanol pode acelerar o desgaste de componentes em veículos que não foram projetados para operar com esse percentual.
Entre os principais pontos de preocupação está a corrosão de peças do sistema de alimentação de combustível. Em veículos mais modernos, diversos componentes metálicos recebem revestimentos especiais que oferecem maior resistência à ação do etanol. Já modelos mais antigos podem sofrer desgaste mais rapidamente.
Nos automóveis equipados com injeção direta, o impacto pode atingir componentes de alto valor, como a bomba de alta pressão, cujo custo de substituição varia entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, além dos bicos injetores, que podem custar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil cada.
Já nos veículos mais antigos, especialistas apontam maior risco de corrosão em tanques metálicos de combustível e em componentes como o carburador, fabricados com materiais menos resistentes à ação prolongada do etanol.
Indústria pede mais testes
A decisão também gerou críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Em nota, a entidade afirmou ser contrária ao aumento da mistura sem a realização de estudos técnicos específicos e conclusivos sobre a durabilidade e a compatibilidade da frota brasileira com a nova composição da gasolina.
Segundo a associação, testes adicionais seriam necessários para garantir que a alteração não provoque impactos no desempenho ou na vida útil dos veículos.
Governo já avalia mistura de 35%
Além da mudança para 32%, o governo já estuda elevar futuramente a participação do etanol para 35% na gasolina. Para essa nova etapa, o Instituto Mauá informou que deverão ser realizados testes específicos de durabilidade antes de qualquer decisão definitiva.
A nova mistura entra em vigor em 1º de agosto e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período. Durante esse intervalo, o governo acompanhará os resultados da medida e seus efeitos sobre o mercado de combustíveis e a frota nacional.
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