Gastos da União alcançam R$ 2,6 trilhões em 12 meses e se aproximam do pico registrado na pandemia
há 2 dias
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As despesas da União acumuladas em 12 meses chegaram a R$ 2,633 trilhões até maio de 2026, aproximando-se do maior patamar já registrado na série histórica, atingido durante a pandemia de Covid-19, quando os gastos alcançaram R$ 2,822 trilhões em novembro de 2020, em valores corrigidos pela inflação. A diferença atual para aquele recorde é de R$ 189,5 bilhões.
Segundo especialistas ouvidos pela CNN, o avanço das despesas tem sido impulsionado principalmente pelo crescimento dos gastos previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), duas das principais despesas obrigatórias do governo federal.
Os desembolsos com a Previdência Social somaram R$ 1,117 trilhão no acumulado de 12 meses encerrados em maio, valor superior ao dobro das despesas com pessoal, que ficaram em R$ 440,1 bilhões no mesmo período.
De acordo com o economista Alexandre Schwartsman, a dinâmica atual das despesas obrigatórias é incompatível com os limites previstos pelo arcabouço fiscal. O especialista destacou que a política de reajuste do salário mínimo, baseada na inflação medida pelo INPC, provoca aumentos automáticos em benefícios previdenciários e assistenciais, reduzindo o espaço disponível para investimentos e outras despesas discricionárias do governo.
O aumento dessas despesas levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ampliar o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões em 2026, com o objetivo de manter os gastos dentro dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. Apenas as projeções para o BPC cresceram R$ 14,1 bilhões, enquanto os benefícios previdenciários tiveram aumento estimado em R$ 11,5 bilhões no segundo bimestre do ano.
O arcabouço fiscal estabelece que as despesas federais não podem crescer mais do que 2,5% acima da inflação ao ano. Além disso, a equipe econômica trabalha com a meta de alcançar um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
Para o especialista em contas públicas Murilo Viana, o país vive uma espécie de "shutdown à brasileira", expressão utilizada para descrever a perda gradual da capacidade operacional do Estado diante da expansão das despesas obrigatórias e da redução do espaço para gastos discricionários. Segundo ele, órgãos públicos já enfrentam dificuldades relacionadas à falta de investimentos e limitações orçamentárias.
Na avaliação dos especialistas, a continuidade dessa trajetória poderá comprometer o funcionamento da máquina pública nos próximos anos caso não sejam adotadas medidas estruturais para conter o crescimento das despesas obrigatórias. Entre as alternativas mencionadas está a discussão de novas reformas, incluindo mudanças no sistema previdenciário.
O avanço dos gastos também pressiona a dívida pública. Quando as despesas superam a arrecadação, o governo precisa emitir mais títulos públicos para financiar o déficit, elevando o endividamento do país. Em abril, a dívida pública federal alcançou R$ 8,798 trilhões, equivalente a cerca de 70% do PIB brasileiro.
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