Governo considera atual crise diplomática com Argentina a maior desde a redemocratização
28 de jul.
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O governo considera que a atual crise diplomática entre Brasil e Argentina é a mais grave enfrentada pelos dois países em mais de 40 anos. A avaliação foi confirmada pelo assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Celso Amorim, que classificou o momento como a maior crise bilateral desde a redemocratização brasileira.
A percepção é compartilhada por interlocutores do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. A avaliação dentro do governo brasileiro é de que o atual cenário representa um dos períodos de maior deterioração nas relações entre os dois países desde o fim do regime militar.
Segundo a análise adotada pelo governo, a última grande crise diplomática entre Brasil e Argentina teria ocorrido em 1973. Naquele período, o Brasil assinou com o Paraguai o Tratado de Itaipu, provocando uma reação negativa do governo argentino. Buenos Aires demonstrou preocupação com a exploração das águas transfronteiriças da bacia hidrográfica compartilhada pelos países e passou a contestar o acordo firmado entre brasileiros e paraguaios.
Como alternativa ao projeto de Itaipu, a Argentina tentou viabilizar a construção de uma usina hidrelétrica com o Paraguai. A proposta, conhecida como Corpus, previa a instalação da estrutura a cerca de 250 quilômetros de Itaipu. O projeto, porém, não chegou a ser concretizado.
A comparação histórica feita dentro do governo Lula ocorre em um momento de forte desgaste na relação entre Brasília e Buenos Aires. A crise atual é vista como particularmente grave por integrantes do governo brasileiro, que avaliam que o nível de tensão entre os dois países não encontra paralelo recente desde o período de redemocratização.
A avaliação de Celso Amorim e de interlocutores ligados ao Itamaraty e à representação diplomática brasileira na Argentina reforça a percepção de que a relação bilateral atravessa um de seus momentos mais delicados em décadas. O cenário coloca em evidência a dimensão da crise diplomática entre os dois países e a distância em relação ao histórico de aproximação mantido por Brasil e Argentina nas últimas décadas.
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