Governo Lula adota estratégia para se afastar do caso Banco Master diante de possível delação
há 47 minutos
2 min de leitura
Reprodução
Diante da possibilidade de uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o governo federal iniciou uma estratégia para tentar se desvincular das denúncias relacionadas ao caso do Banco Master. A movimentação busca neutralizar pontos considerados sensíveis e reduzir o impacto político do escândalo, que tem sido explorado pela oposição no debate sobre corrupção.
Embora integrantes do governo afirmem que as investigações só avançaram por iniciativa da atual gestão, há o reconhecimento de que o tema fortalece narrativas adversárias. O caso tem potencial de gerar desgaste político, especialmente por envolver possíveis conexões com setores do Partido dos Trabalhadores.
Uma das principais preocupações está relacionada à ala baiana do partido, que mantinha relação com Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco. Essa ligação atinge nomes relevantes do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder no Senado, Jaques Wagner, ambos do PT da Bahia.
Nos bastidores, também há menções à possibilidade de Guga Lima aderir a uma colaboração, o que ampliaria a tensão política em torno do caso. A eventual delação de Vorcaro é vista como um fator que pode aprofundar as investigações e trazer novas informações sobre relações políticas ligadas ao banco.
Como resposta, aliados do governo articulam uma estratégia de comunicação para associar o crescimento do Banco Master ao período do governo de Jair Bolsonaro. A ideia é difundir o termo “Bolsomaster” em discursos e redes sociais, buscando transferir o foco do escândalo para a gestão anterior.
Essa linha de atuação inclui destacar que Vorcaro assumiu o controle do banco e promoveu sua expansão durante o governo Bolsonaro. Outro ponto da estratégia é atribuir responsabilidade ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sob o argumento de que irregularidades teriam ocorrido sem a devida investigação à época.
A ofensiva política também envolve críticas ao senador Flávio Bolsonaro, que tem utilizado o caso para atacar o governo. Em resposta, o PT passou a divulgar materiais afirmando que a gestão anterior teria aberto caminho para o escândalo do Banco Master.
Por outro lado, integrantes da oposição reforçam cobranças por investigações que alcancem membros do atual governo. Entre os pontos citados estão a relação de Guga Lima com o PT da Bahia e um encontro fora da agenda entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro, realizado no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, mediado por Guido Mantega.