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Grife Victor Hugo enfrenta pedido de falência na Justiça do Rio de Janeiro com dívida superior a R$ 1,2 bilhão

  • há 24 minutos
  • 2 min de leitura
Reprodução
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A tradicional grife brasileira Victor Hugo, que nos anos 2000 era sinônimo de status e tinha bolsas de luxo presentes em editoriais de moda e no mercado internacional com loja aberta em Nova York, agora se encontra no centro de uma disputa judicial que pode levar à sua falência após acumular uma dívida fiscal superior a R$ 1,2 bilhão.

O pedido de falência foi apresentado de forma conjunta pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro e foi aceito pela Justiça do Rio no início de fevereiro de 2026, atingindo três empresas pertencentes ao grupo, incluindo a Brasilcraft. Do total do passivo, cerca de R$ 900 milhões são créditos devidos à União e mais de R$ 355 milhões ao Estado do Rio.

Segundo a denúncia incluída na ação judicial, a dívida faz parte de um padrão de inadimplência que teria sido utilizado como estratégia de negócios pelo grupo. A peça acusatória aponta que a marca teria sido transferida a empresas offshore situadas em paraísos fiscais, como Uruguai e Belize, e que o patrimônio foi movimentado entre diferentes companhias da rede com a finalidade de dificultar a cobrança dos débitos. Desde a fundação da empresa, em 1980, foram registradas ao menos dez alterações societárias.

O histórico de problemas tributários da grife remonta a 2019, quando a Justiça determinou o bloqueio de bens da marca por dívidas que ultrapassavam R$ 300 milhões. Na ocasião, a Justiça também proibiu o fundador, Victor Hugo Alves Gonzalez, de vender a marca. Com o passar dos anos, os débitos continuaram a se acumular, chegando à magnitude atual que motivou o pedido de falência.

O procurador-geral do Estado do Rio de Janeiro, Renan Saad, declarou que a medida judicial só foi adotada após várias tentativas de negociação com o grupo, sem que houvesse demonstração de interesse em regularizar os pagamentos devidos. As procuradorias também solicitaram que o grupo seja proibido de vender seus bens e que as operações comerciais sob a bandeira Victor Hugo continuem funcionando sob nova gestão, com o objetivo de preservar empregos.

Especialistas consultados por órgãos públicos envolvidos no processo consideram esse caso um marco no endurecimento da atuação contra grandes devedores no País, abrindo possível precedente para ações semelhantes no mercado brasileiro. A situação da grife, que já foi uma das mais cobiçadas da moda nacional, agora é vista como um exemplo de empresa com dívida bilionária sob intenso escrutínio judicial.

Gazeta de Varginha

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