Homem é indiciado por matar amante em Vespasiano e provocar morte do filho dela, que morreu por fome
22 de dez. de 2025
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fonte: o tempo
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apurou a morte de Heddy Lamar de Araújo, de 44 anos, encontrada sem vida em um monte de orações, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em setembro de 2024. Um homem de 37 anos, apontado como autor do crime, foi preso na última quinta-feira (18/12). A investigação indica que o homicídio foi motivado por vingança, já que o suspeito acreditava que a vítima teria sido responsável pelo fim de seu casamento.
O caso ganhou contornos ainda mais graves após a localização do filho de Heddy, um adolescente de 13 anos, encontrado morto por inanição oito dias depois do assassinato da mãe. O menor era autista não verbal e, segundo a polícia, morreu por fome e sede.
Os detalhes do inquérito, que durou mais de um ano, foram apresentados em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (22/12). Conforme explicou o delegado Marcos Vinícius Martins, o corpo de Heddy foi localizado no dia 25 de setembro de 2024, com diversos ferimentos e sem documentos, o que dificultou a identificação inicial. A confirmação da identidade ocorreu oito dias depois, após exames realizados pelo Instituto Médico-Legal.
No mesmo dia da identificação, a Polícia Civil recebeu informações da Delegacia de Pessoas Desaparecidas sobre o sumiço do filho da vítima, denunciado pelo pai. As equipes foram até o apartamento onde mãe e filho moravam e, após entrarem no imóvel, encontraram o corpo do adolescente em um quarto trancado.
De acordo com a PCMG, o menino, identificado como Bernardo Lucas de Araújo Ribeiro, não tinha condições de pedir ajuda. Exames apontaram que ele havia morrido cerca de 36 horas antes de ser encontrado. O pai da criança, segundo o delegado, tentou contato diversas vezes ao perceber que o filho não comparecia à escola havia três dias, mas não obteve resposta.
As investigações apontaram que Heddy e o suspeito se conheceram durante uma corrida por aplicativo e mantiveram um relacionamento extraconjugal. Conforme apurado, a vítima desejava formar uma família, enquanto o homem não aceitava o rompimento definitivo de seu casamento. Após o fim da relação conjugal, o suspeito passou a atribuir à amante a responsabilidade pela separação, alegando que ela teria realizado “trabalhos espirituais”.
Segundo a polícia, o crime foi premeditado e executado na madrugada de 25 de setembro. Imagens mostram Heddy saindo de casa por volta das 2h, utilizando um carro por aplicativo até a região do Hospital Risoleta Neves. Em seguida, ela embarcou em uma motocicleta conduzida pelo suspeito, que a levou até o local onde o homicídio foi cometido. A vítima teria sido asfixiada e atingida por golpes de faca ou tesoura.
O homem foi identificado por meio de provas testemunhais, periciais e outros elementos objetivos. A Justiça decretou a prisão preventiva, e ele foi localizado em Santa Luzia. O suspeito nega o crime.
Com a conclusão do inquérito, ele foi indiciado por homicídio quadruplamente qualificado — motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio — pela morte de Heddy. Em relação ao filho dela, responde por homicídio contra menor de 14 anos, com qualificadora de vulnerabilidade, devido à condição de autista do adolescente. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.
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