top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Instituto Butantan busca idosos para testes da vacina contra a dengue

  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura

fonte: itatiaia
fonte: itatiaia
O Instituto Butantan iniciou, nesta terça-feira (13), o recrutamento de 767 voluntários com idades entre 60 e 79 anos para uma nova fase de ensaios clínicos da vacina contra a dengue, a Butantan-DV. Os testes serão realizados ao longo de 2026 em quatro centros de pesquisa no Rio Grande do Sul, nas cidades de Porto Alegre e Pelotas, e em um centro no Paraná, em Curitiba.
Além dos idosos, o estudo contará com a participação de 230 adultos entre 40 e 59 anos, que atuarão como grupo controle. Ao todo, 997 voluntários, homens e mulheres, poderão participar da pesquisa, desde que estejam saudáveis ou com comorbidades controladas.
Entre os idosos, haverá sorteio para definir quem receberá a vacina (690 participantes) e quem receberá placebo (77). Já os adultos do grupo controle receberão exclusivamente o imunizante, sem uso de placebo.
Segundo o Instituto Butantan, o objetivo desta etapa é avaliar a segurança da vacina na população idosa e comparar a resposta imunológica desse grupo com a de adultos já acompanhados em fases anteriores do desenvolvimento da Butantan-DV. A análise será feita por meio de exames laboratoriais que medem a produção de anticorpos.
O recrutamento começa pelo Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Os interessados devem preencher um questionário para se candidatar. Na sequência, as inscrições serão abertas nos demais centros participantes: Hospital Moinhos de Vento e Núcleo de Pesquisa Clínica da PUCRS, também na capital gaúcha; Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HEUFPEL/Ebserh), em Pelotas; e o Serviço de Infectologia e Controle de Infecção Hospitalar de Curitiba.
De acordo com a diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, a inclusão de pessoas acima dos 60 anos é essencial, já que essa faixa etária está entre as mais afetadas pelas complicações da dengue. “O objetivo primordial deste estudo é garantir a segurança para que pessoas entre 60 e 79 anos possam receber a Butantan-DV”, afirmou.
O gestor médico de desenvolvimento clínico do Butantan, Érique Miranda, explicou que a maioria dos participantes precisará comparecer ao centro de pesquisa em apenas quatro ocasiões. “A primeira visita já é para tomar a vacina, com retornos em 22 dias, 42 dias e um ano após a vacinação para coleta de sangue”, disse. Inicialmente, 56 idosos farão visitas adicionais para exames específicos de viremia.
Segundo Miranda, o Rio Grande do Sul e o Paraná foram escolhidos por apresentarem baixa prevalência de dengue, o que permite maior controle dos resultados. Regiões com alta exposição prévia ao vírus chegaram a ser avaliadas, mas poderiam interferir nos dados devido à presença de anticorpos nos voluntários.
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para uso na população de 12 a 59 anos. De dose única, o imunizante foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), e o Ministério da Saúde adquiriu inicialmente 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan.
Parte dessas doses começará a ser aplicada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 17 de janeiro, nos municípios de Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP), em pessoas de 15 a 59 anos. A estratégia busca avaliar o impacto da vacinação em massa, com a meta de alcançar ao menos 50% da população dessas cidades.
Os ensaios clínicos da Butantan-DV foram concluídos em junho de 2024, após cinco anos de acompanhamento do último participante. Os dados indicaram eficácia geral de 79,6% na prevenção da dengue sintomática e de 89% contra casos graves e com sinais de alarme. Na faixa etária de 12 a 59 anos, a eficácia foi de 74,7% para casos gerais e de 91,6% para formas graves da doença.
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Entre os principais sintomas estão febre alta, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, manchas vermelhas na pele, coceira e náuseas. A principal forma de prevenção continua sendo o combate ao mosquito, por meio da eliminação de água parada em recipientes que possam servir de criadouros.

Comentários


Gazeta de Varginha

bottom of page