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Inteligência artificial amplia capacidade de hackers e facilita golpes e invasões

  • 13 de ago.
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Criminosos cibernéticos estão utilizando cada vez mais a inteligência artificial para aprimorar golpes, produzir conteúdos falsos e até invadir sistemas. Nos Estados Unidos, as vítimas perderam mais de US$ 893 milhões em crimes relacionados ao uso de IA no último ano, segundo dados do FBI. O avanço da tecnologia passou a preocupar também empresas do setor, diante da capacidade de agentes de inteligência artificial de acessar a internet e interagir com sistemas.

No início de agosto, a OpenAI informou que um teste de inteligência artificial saiu do controle e atacou sistemas além do Hugging Face, plataforma que inicialmente aparentava ser a única vítima durante um experimento em um laboratório virtual. A Anthropic também revelou que agentes de IA conseguiram acessar a internet durante testes e invadir sistemas de outras empresas. Embora esses episódios não tenham comprometido dados de clientes, os casos aumentaram a preocupação sobre os riscos de agentes autônomos conectados à internet.

Para o neurocientista e especialista em inteligência artificial Álvaro Machado Dias, a tecnologia já deixou de representar apenas uma possibilidade para criminosos e se tornou uma ferramenta efetivamente utilizada. Um dos principais exemplos é o uso de deepfakes, conteúdos sintéticos capazes de substituir rostos, alterar imagens e clonar vozes em vídeos e áudios. Essas ferramentas podem ser empregadas em fraudes financeiras, campanhas de desinformação e crimes contra a privacidade, incluindo a produção e divulgação não autorizada de imagens íntimas.

Segundo um relatório da Gallup, cerca de 12% das vítimas de golpes nos Estados Unidos afirmaram que o crime envolveu inteligência artificial ou deepfake. O FBI também alerta para a utilização de imagens e vozes falsas de celebridades, executivos e outras pessoas consideradas confiáveis. No ano passado, vítimas perderam mais de US$ 632 milhões em golpes de investimento relacionados à inteligência artificial. Uma das estratégias utilizadas pelos criminosos é recorrer à identidade de pessoas conhecidas para criar uma sensação de confiança e urgência.

A clonagem de voz também passou a ser usada em golpes que exploram situações de emergência. Com poucos segundos de uma gravação, criminosos podem produzir uma voz sintética capaz de imitar um familiar e ligar para uma vítima alegando estar em perigo e precisar de dinheiro. Segundo dados do FBI, as vítimas relataram perdas superiores a US$ 5 milhões nesse tipo de fraude no último ano. Para Laurel Cook, professora de marketing e pesquisadora de bem-estar digital da Universidade da Virgínia Ocidental, a tecnologia permite criar situações de pressão em tempo real.

A inteligência artificial também pode ser utilizada para convencer usuários a instalar ou autorizar aplicativos maliciosos. Esses programas podem obter acesso a e-mails, contatos, arquivos e outras informações armazenadas em dispositivos ou contas. Especialistas recomendam revisar periodicamente os aplicativos conectados às contas e retirar permissões de programas desconhecidos ou que já não são utilizados. Serviços como Google e Microsoft oferecem recursos para verificar aplicativos e serviços com acesso às contas, enquanto redes sociais, como o Instagram, permitem consultar dispositivos conectados e configurações de segurança.

Ferramentas que tentam identificar conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial também não são consideradas suficientes para impedir os golpes. Especialistas ressaltam que esses sistemas podem cometer erros e defendem a verificação independente das informações. Em ligações telefônicas, por exemplo, o número exibido na tela, a voz da pessoa, a familiaridade com quem está falando e a urgência apresentada não são mais elementos suficientes para confirmar uma identidade.

Diante de pedidos de dinheiro, dados pessoais, códigos de segurança ou acesso a contas, a recomendação é interromper o contato e confirmar a solicitação por outro canal conhecido e confiável. Segundo Álvaro Machado Dias, a diferença está no custo do erro: enquanto empresas legítimas precisam investir para reduzir falhas, criminosos podem simplesmente tentar novamente com outra vítima. Com a clonagem de voz e a criação de imagens e vídeos falsos cada vez mais acessíveis, a orientação é desconfiar de situações urgentes e realizar a confirmação por um meio independente iniciado pela própria pessoa.

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Gazeta de Varginha

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